Os Estados Unidos continuam fornecendo gratuitamente informações de inteligência à Ucrânia, apesar da forte redução das novas remessas de armamentos financiadas diretamente por Washington. Segundo reportagem publicada pelo The Atlantic, o apoio inclui dados para ataques contra posições militares russas na Ucrânia e contra instalações de energia dentro da Rússia.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, teria papel importante na manutenção desse apoio. Ratcliffe apresenta regularmente ao presidente Donald Trump dados sobre as perdas russas no campo de batalha, que atualmente estariam acima de 40 mil homens por mês. Estimativas divulgadas anteriormente por autoridades americanas já apontavam perdas russas próximas ou superiores ao ritmo de recrutamento de Moscou.
Ao mesmo tempo, a dependência ucraniana de armas gratuitas dos Estados Unidos diminuiu. A Ucrânia ampliou significativamente sua produção de drones e outras armas, utilizando sistemas relativamente baratos para atacar tropas, bases, depósitos e instalações de energia russas. Segundo o The Atlantic, Trump reduziu em 99% os novos compromissos americanos de ajuda militar durante seu primeiro ano de volta à Casa Branca.
O principal problema continua sendo a defesa contra mísseis balísticos. A Ucrânia possui poucos sistemas Patriot e enfrenta uma grave falta de interceptadores. A Associated Press destaca que o Patriot continua sendo o principal sistema ucraniano capaz de enfrentar mísseis russos como Iskander M e outros armamentos de alta velocidade.
Trump chegou a anunciar que Washington poderia conceder uma licença para que a Ucrânia produzisse interceptadores Patriot. Porém, o processo enfrenta dificuldades. Segundo uma fonte republicana citada pelo The Atlantic, Raytheon e Lockheed Martin apresentam oficialmente preocupações relacionadas à propriedade intelectual e à transferência de tecnologia. A mesma fonte afirma que existiria também receio de que os ucranianos consigam aperfeiçoar os interceptadores e produzi-los mais rapidamente e por um custo muito inferior ao das atuais linhas americanas. As empresas, por sua vez, confirmaram publicamente apenas que as negociações sobre uma possível produção na Ucrânia ainda estão em fase inicial.
Outra alternativa discutida por Kyiv seria atacar os lançadores russos antes do disparo dos mísseis. Zelensky pediu a Trump ajuda para obter autorização de Elon Musk para utilizar o Starlink em operações dentro da Rússia, onde o serviço possui restrições. A liberação poderia facilitar ataques de drones ucranianos contra lançadores de mísseis balísticos e instalações relacionadas próximas à fronteira.
Essa estratégia reduziria a pressão sobre os poucos Patriot disponíveis. Trump já afirmou que ataques ucranianos de longo alcance representam uma escalada, mas também poderiam contribuir para levar a guerra ao fim.