A Ucrânia informou aos Estados Unidos que pretende ampliar significativamente sua campanha de ataques de longo alcance contra alvos estratégicos dentro da Rússia. A ofensiva contra a retaguarda russa deverá ganhar ainda mais importância na estratégia militar de Kiev.
Segundo informações divulgadas pela imprensa ucraniana, o Ministério da Defesa apresentou à administração do presidente Donald Trump um memorando detalhando os resultados recentes das operações. O documento afirma que o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) realizou mais de 100 ataques bem-sucedidos contra alvos estratégicos russos e em territórios ocupados durante uma campanha de 40 dias.
Dados divulgados pelo próprio SBU indicam que foram atingidas 14 refinarias, além de depósitos de combustível, terminais petrolíferos, estações de bombeamento, instalações militares, radares e sistemas de defesa aérea.
A campanha também conseguiu atingir as dez maiores refinarias da Rússia. Estimativas divulgadas por fontes ucranianas apontam que mais de 30% da capacidade russa de refino teria sido retirada de operação em determinados momentos, com prejuízos acumulados estimados em cerca de US$ 15 bilhões. As estimativas variam conforme a metodologia e o período analisado.
Os efeitos já são sentidos no mercado russo. Em julho, o vice-primeiro-ministro Alexander Novak reconheceu problemas no abastecimento de combustíveis e afirmou que refinarias estavam sendo retiradas de operação para reparos após os ataques ucranianos.
O memorando enviado aos Estados Unidos também teria destacado uma vulnerabilidade grave da própria Ucrânia. Kiev enfrenta uma escassez crítica de interceptadores PAC-2 e PAC-3 utilizados pelos sistemas Patriot. Esses mísseis são fundamentais para enfrentar os ataques russos, principalmente os realizados com mísseis balísticos.
A falta de interceptadores já obrigou a Ucrânia a limitar a proteção de algumas regiões. O problema é agravado pela elevada demanda mundial por mísseis Patriot e pelo consumo desses armamentos em outros conflitos.
Ao informar Washington sobre os resultados da campanha, Kiev sinaliza que os ataques contra refinarias, instalações militares, centros logísticos e outras estruturas localizadas profundamente no território russo deverão continuar e ganhar escala.