A member of the Iranian police attends a pro-government rally in Tehran, Iran, January 12, 2026. Stringer/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS PICTURE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY
O Irã está reorganizando suas forças militares e ampliando a produção de mísseis e drones como parte dos preparativos para um conflito mais amplo no Oriente Médio, segundo informações publicadas nesta segunda-feira (17) pelo Wall Street Journal.
De acordo com o jornal, a liderança iraniana aproveitou o período de negociações e o acordo provisório firmado com os Estados Unidos em junho para fortalecer suas capacidades militares. Teerã também aumentou o poder da Guarda Revolucionária (IRGC) dentro da estrutura de segurança do país e intensificou a coordenação com grupos aliados no Iêmen, Iraque e Líbano.
A reorganização inclui a nomeação de veteranos da Guarda Revolucionária para cargos estratégicos. Entre eles está Mohsen Rezaei, ex-comandante da IRGC, escolhido recentemente para ocupar um dos principais postos do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Rezaei também foi nomeado representante do líder supremo Mojtaba Khamenei no órgão.
Segundo o Wall Street Journal, a estratégia iraniana prevê a capacidade de sustentar uma guerra prolongada, utilizando mísseis, drones e forças aliadas para ampliar simultaneamente a pressão sobre Israel, forças americanas e países árabes próximos dos Estados Unidos.
Sinais dessa postura já apareceram nas últimas semanas. A Arábia Saudita afirmou ter informações sobre possíveis ataques coordenados de milícias iraquianas e dos Houthis contra infraestrutura energética, portos e aeroportos sauditas, supostamente sob supervisão da Guarda Revolucionária iraniana.
Teerã também advertiu países do Golfo de que instalações petrolíferas, redes elétricas, sistemas de abastecimento de água e outras infraestruturas estratégicas poderiam ser atacadas caso novos ataques americanos fossem realizados contra o território iraniano.
Outro sinal da mudança de postura veio de Mohammad Reza Naqdi, assessor do comando da Guarda Revolucionária. Ele afirmou que a organização trabalha para desenvolver capacidade de realizar operações diretamente em território inimigo, dentro de uma doutrina militar mais ofensiva.
As informações reforçam a avaliação de que, apesar das negociações diplomáticas em andamento, Teerã está se preparando militarmente para a possibilidade de uma guerra regional mais longa e abrangente.