Uma mensagem interna que circulou no Departamento de Defesa dos Estados Unidos mostrou que Washington avalia medidas contra aliados da OTAN considerados pouco cooperativos na guerra contra o Irã. Entre as possibilidades discutidas estão a suspensão da Espanha da aliança e até uma revisão da posição americana sobre as Ilhas Malvinas, território controlado pelo Reino Unido e reivindicado pela Argentina.
O conteúdo do documento reflete a irritação do governo Trump com países europeus que limitaram ou recusaram acesso, uso de bases e autorização de sobrevoo para operações ligadas ao conflito. No texto, esse tipo de apoio aparece como o mínimo esperado de membros da OTAN, e a avaliação é de que alguns parceiros europeus agem com excessiva comodidade em relação à proteção americana.
A Espanha virou um dos principais alvos da insatisfação de Washington depois de barrar o uso de seu espaço aéreo e de suas instalações para ataques contra o Irã. Mesmo assim, o premiê Pedro Sánchez reagiu com tranquilidade e afirmou que Madri continua sendo um membro confiável da aliança, agindo sempre dentro da legalidade internacional.
No caso britânico, a pressão ganhou um tom ainda mais sensível. O texto interno cita a possibilidade de reavaliar o respaldo diplomático dos EUA às Malvinas, o que levou Londres a reafirmar que a soberania do arquipélago não está em debate e que o direito de autodeterminação dos habitantes segue sendo central para o governo britânico.
A crise se soma às cobranças feitas por Donald Trump e pelo secretário de Defesa Pete Hegseth para que países da OTAN enviem forças navais ao estreito de Ormuz. Hegseth declarou que o tempo de “pegar carona” acabou, enquanto Trump voltou a atacar aliados europeus por, segundo ele, não assumirem a parte que lhes cabe no confronto. Apesar do tom duro, o documento não propõe, por enquanto, uma saída formal dos EUA da OTAN nem o fechamento de bases americanas na Europa.