Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira que estão deixando a Opep e a Opep+, em uma decisão que atinge diretamente o bloco de produtores de petróleo e enfraquece a liderança exercida pela Arábia Saudita dentro do grupo. A saída ocorre em um momento delicado, marcado pela guerra envolvendo o Irã e por forte instabilidade no mercado global de energia.
Segundo o ministro de Energia dos Emirados, Suhail Mohamed al-Mazrouei, a decisão foi tomada após uma avaliação das estratégias energéticas atuais e futuras do país. Ele afirmou que Abu Dhabi não consultou outros governos antes de comunicar a medida, indicando que a escolha foi conduzida de forma independente.
A mudança pode abrir caminho para que os Emirados ampliem sua produção de petróleo sem as mesmas limitações impostas pelos acordos da Opep+. Analistas avaliam que o impacto imediato pode ser reduzido por causa da crise no Estreito de Ormuz, mas o efeito de longo prazo tende a ser mais profundo, já que os Emirados são um dos poucos produtores do grupo com capacidade real de elevar rapidamente a oferta.
O Estreito de Ormuz, passagem estratégica entre o Irã e Omã, segue no centro das preocupações. A rota costuma concentrar cerca de um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito movimentados no mundo, mas ameaças e ataques ligados ao Irã têm dificultado o transporte marítimo na região.
A decisão também representa um revés político para a Arábia Saudita e pode favorecer os interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem criticando a Opep por manter os preços do petróleo elevados. Nos últimos dias, autoridades dos Emirados também demonstraram frustração com a reação de países árabes e do Golfo aos ataques iranianos, reforçando a percepção de que Abu Dhabi busca maior liberdade estratégica em meio à crise regional.