O Kremlin parece estar preparando as condições legais e de segurança para uma possível nova mobilização militar, enquanto amplia os mecanismos internos para enfrentar eventuais protestos e distúrbios civis.
Em 22 de julho, a Duma aprovou uma proposta que permite a pessoas com antecedentes criminais ativos, inclusive condenados por tráfico de drogas e crime organizado, assinar contratos com o Ministério da Defesa durante períodos de mobilização. Segundo autoridades russas, a medida ampliaria o número de pessoas disponíveis para o serviço militar.
A Guarda Nacional da Rússia também propôs ampliar seus poderes durante situações de mobilização, lei marcial ou guerra. As mudanças permitiriam que a força atuasse contra ameaças internas não especificadas. Para o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), a iniciativa indica que Moscou considera a possibilidade de resistência popular caso uma nova convocação seja anunciada.
A Rússia já possui mecanismos para convocar reservistas sem anunciar formalmente uma mobilização nacional. O decreto utilizado por Vladimir Putin para mobilizar 300 mil pessoas em setembro de 2022 continua legalmente ativo.
A possibilidade de uma nova convocação ganhou força com a queda no recrutamento voluntário. Fontes próximas ao governo afirmam que diferentes planos estão sendo avaliados, inclusive convocações seletivas por regiões ou setores da economia. Nenhuma decisão final foi tomada.
A mobilização de 2022 provocou protestos e levou dezenas de milhares de russos a deixar o país. Por isso, uma nova convocação representa um risco político para Putin, especialmente diante das eleições parlamentares previstas para setembro.
A decisão permanece concentrada nas mãos do presidente russo e dependerá de sua avaliação sobre a situação no campo de batalha, a necessidade de novos soldados e a estabilidade interna do governo. Ainda não está claro se Putin anunciará uma mobilização no futuro próximo ou se o Kremlin adotará um processo gradual e sem uma declaração pública.