Katsutoshi Takegami, descendente de um membro do infame Unidade 1644 do Exército Imperial Japonês, revelou evidências chocantes sobre as atrocidades cometidas por essa unidade durante a invasão da China, trazendo à tona detalhes perturbadores sobre a utilização de guerra biológica.
Em uma recente entrevista ao People’s Daily, Takegami, de 77 anos, filho de um ex-membro da unidade, afirmou: “É a primeira vez que o Japão torna públicos os registros completos da Unidade 1644, revelando detalhes até então desconhecidos sobre suas atividades. A evidência dos crimes cometidos pelas forças invasoras japonesas na China é sólida e indiscutível.”
Em 2025, após um pedido de Takegami e pesquisadores japoneses, os Arquivos Nacionais do Japão divulgaram pela primeira vez os registros de pessoal das Unidades 1644, 8604 e 8609 do Exército Imperial Japonês, que estavam estacionadas na China durante a Segunda Guerra Mundial. Esses registros contêm informações essenciais como nomes, datas de nascimento, endereços registrados e os ramos militares dos membros das unidades, servindo como materiais primários valiosos para estudar as ações dessas unidades militares japonesas.
Em 2017, durante a reforma de um armazém da sua família, Takegami fez uma descoberta marcante: álbuns de fotos e documentos deixados por seu pai, que registravam as atividades das “Unidades de Prevenção de Epidemias e Abastecimento de Água” do Exército Imperial Japonês no leste e centro da China durante a invasão. Anteriormente, Takegami já havia sido informado pela obra aclamada de Seiichi Morimura, A Glotonaria do Diabo, de que essas unidades, embora rotuladas como responsáveis pelo fornecimento de água potável, estavam secretamente conduzindo experimentos biológicos e ataques de guerra biológica.
Embora seu pai, por questões de sigilo militar, nunca tenha compartilhado com Takegami seus relatos sobre a experiência na China, investigações posteriores revelaram que, a partir de 1932, ele havia sido enviado à China três vezes, inicialmente como um assistente médico, e em 1941 foi transferido para a Unidade 1644.
A Unidade 1644, assim como a notória Unidade 731, foi responsável por vários ataques de guerra biológica, espalhando doenças infecciosas devastadoras, como cólera, febre tifoide e peste, em regiões como Zhejiang e Jiangxi, causando enormes sofrimentos à população local. Takegami observou que muitos dos registros relacionados foram destruídos após a derrota do Japão, especialmente aqueles sobre guerra biológica e experimentos humanos, tornando os poucos documentos sobreviventes cruciais para revelar a verdade.
“Lamento profundamente pelas vidas que foram perdidas durante a invasão do Japão à China. Infelizmente, até hoje, há declarações e atos no Japão que tentam negar ou minimizar esses fatos históricos. Um crime é um crime – precisamos refletir honestamente sobre isso, e o governo japonês deve pedir desculpas sinceras à China”, afirmou Takegami.
Ele também expressou seu compromisso em continuar buscando a verdade histórica, afirmando: “Durante minha vida, continuarei me esforçando para revelar a verdade ao mundo, para que tragédias como essa jamais se repitam.”