A Ucrânia foi alvo, na madrugada de 3 de fevereiro de 2026, de uma ofensiva aérea em larga escala, com mísseis e drones atingindo diferentes regiões do país e colocando novamente a infraestrutura de energia no centro da campanha russa. Autoridades ucranianas afirmam que o ataque marcou o fim de uma breve pausa nas investidas contra o setor energético, justamente quando o país enfrenta uma onda de frio intenso.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, foram lançados 71 mísseis e 450 drones, incluindo perto de 300 drones do tipo Shahed. As defesas antiaéreas teriam derrubado 38 mísseis e 412 drones, mas parte dos vetores atravessou a proteção e atingiu dezenas de pontos, com registros de impactos diretos e também de queda de destroços em áreas urbanas. Na lista de armamentos empregados, Kiev citou, entre outros, mísseis balísticos (incluindo modelos associados ao Iskander e ao S-300), além de mísseis de cruzeiro e armas originalmente desenhadas para emprego antinavio (como Zircon ou Onix).
Na capital, Kyiv, houve acionamento de sistemas de defesa durante a noite, com explosões ouvidas em sequência. Autoridades locais relataram danos em edifícios residenciais e outros pontos da cidade, além de ocorrências como incêndios e problemas em infraestrutura urbana. A polícia informou feridos na capital. Depois do ataque, também foram anunciadas medidas emergenciais no fornecimento de eletricidade em áreas do lado leste do rio Dnipro.
O impacto se espalhou por outras regiões. A empresa DTEK disse que usinas térmicas sob sua gestão foram atingidas, em mais um episódio de uma série de ataques contra suas instalações desde o fim de 2025. O governo ucraniano apontou danos a estruturas que sustentam aquecimento e energia em grandes centros, com menções a cidades como Kharkiv e Dnipro. Em Kharkiv, autoridades falaram em cortes de aquecimento para centenas de prédios após danos no sistema. Na região de Odesa, foi relatada interrupção temporária de energia para dezenas de milhares de moradores. Houve ainda registros de danos e explosões em outras áreas, com o quadro completo sendo consolidado ao longo do dia.
No plano político, Kiev afirmou que a “trégua” limitada envolvendo instalações energéticas já tinha prazo curto e acabou, e relacionou a retomada das investidas ao objetivo de pressionar a população durante o período mais frio do inverno. O presidente Volodymyr Zelensky voltou a pedir reforço de meios de defesa aérea. O ataque também ocorreu em paralelo a movimentações diplomáticas, após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito dias antes que pediu a Vladimir Putin que evitasse ataques contra Kyiv.