O porta-aviões USS Abraham Lincoln e sua tripulação devem finalmente deixar o Oriente Médio e iniciar o retorno aos Estados Unidos após uma das missões mais longas e desgastantes da Marinha americana nas últimas décadas.
A retirada tornou-se possível com a chegada do porta-aviões USS George Washington à região, onde assumirá parte das funções desempenhadas pelo Lincoln. O navio estava destacado havia mais de 250 dias e passou mais de 200 dias consecutivos no mar sem uma escala regular em porto.
Cerca de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais estavam a bordo. Familiares relataram problemas envolvendo falta de alguns suprimentos, alimentação limitada, banheiros com defeitos, mofo em áreas do navio e dificuldades para receber encomendas. Também surgiram relatos de desgaste psicológico e episódios envolvendo tripulantes que teriam tentado se lançar ao mar.
As condições provocaram questionamentos no Congresso americano. O senador Richard Blumenthal, integrante do Comitê de Serviços Armados do Senado, exigiu explicações da Marinha sobre o tratamento dado à tripulação durante a longa missão. Familiares também demonstraram preocupação com o nível de exaustão dos marinheiros e com possíveis consequências para a segurança das operações.
A liderança da Marinha reconheceu que a tripulação foi submetida a uma missão particularmente exigente, mas rejeitou algumas das descrições mais graves sobre as condições a bordo. O secretário interino da Marinha, Hung Cao, afirmou em 14 de agosto que o Lincoln seria substituído dentro de uma rotação planejada e que a segurança dos militares permanecia como prioridade.
O USS Abraham Lincoln havia sido mantido no Oriente Médio além do período inicialmente previsto devido às operações americanas relacionadas ao conflito com o Irã. A extensão da missão também dificultou manutenção, abastecimento e períodos de descanso da tripulação.
Com a chegada do USS George Washington, o Lincoln está liberado para iniciar a longa viagem de volta à sua base em San Diego, encerrando uma missão que colocou os limites humanos e logísticos das operações prolongadas da Marinha dos Estados Unidos novamente em debate.