Polônia e Noruega estão reforçando suas posições militares próximas à Rússia, enquanto autoridades dos dois países deixam claro que qualquer agressão contra território da OTAN terá resposta militar.
O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski, afirmou recentemente que Varsóvia considera possível uma provocação russa destinada a criar um pretexto para atacar algum integrante da Aliança. Segundo ele, Moscou precisa entender que a Polônia e seus aliados defenderão “cada centímetro” do território da OTAN.
As Forças Armadas polonesas vêm realizando exercícios no nordeste do país, região próxima ao enclave russo de Kaliningrado e ao chamado Corredor de Suwałki. Em julho, unidades polonesas fizeram treinamentos destinados a testar prontidão operacional e capacidade de reação rápida na área. Varsóvia também realizou o exercício Bursztynowy Obrońca 26, que mobilizou cerca de 10 mil militares e aproximadamente 700 veículos e equipamentos.
A movimentação ocorre enquanto a própria Rússia concentra forças em Kaliningrado. Mais de 2.500 militares e cerca de 300 veículos e equipamentos do Corpo de Exército da Frota do Báltico foram deslocados para o campo de treinamento de Pravdinsk antes de grandes exercícios previstos entre 24 e 28 de agosto.
A Noruega também está aumentando sua capacidade militar no extremo norte. Oslo ampliou a Brigada Finnmark, responsável pela defesa da região próxima aos 198 quilômetros de fronteira terrestre com a Rússia. A unidade está recebendo mais artilharia, defesa antiaérea e capacidade de comando e comunicações.
O reforço norueguês é especialmente importante devido à proximidade da Península de Kola, onde estão algumas das principais bases da Frota do Norte e parte importante das forças nucleares estratégicas russas.
O governo norueguês considera a Rússia sua principal ameaça de segurança e afirma que uma Rússia mais agressiva precisa ser dissuadida de qualquer ação contra território norueguês ou de outros integrantes da OTAN.
A intensificação das medidas defensivas no norte e no Báltico ocorre em meio ao aumento das tensões entre Moscou e a Aliança. No início de agosto, caças da OTAN foram acionados repetidamente para identificar aeronaves militares russas operando no espaço aéreo internacional próximo ao Báltico, muitas delas voando sem plano de voo ou com transponders desligados.