A Polônia assinou, na sexta-feira (30), um contrato para desenvolver o que o primeiro-ministro Donald Tusk descreveu como um sistema de defesa antidrone “sem paralelo” na Europa, tratado pelo governo como um salto de capacidade para proteger o flanco oriental da OTAN.
O acordo prevê a construção do sistema chamado San e foi formalizado em uma instalação estatal de defesa nas proximidades de Varsóvia, com a presença de Tusk e do ministro da Defesa Władysław Kosiniak-Kamysz. O projeto ficará a cargo de um consórcio liderado pelo grupo estatal PGZ, em parceria com a empresa privada APS e a norueguesa Kongsberg, com execução estimada em dois anos.
Estimativas não oficiais apontam custo próximo de 15 bilhões de zlotys (cerca de €3,4 bilhões). Kosiniak-Kamysz afirmou que o programa deve incluir 18 baterias antidrone e mais de 700 veículos, acrescentando que o investimento total da Polônia em defesa aérea chega a aproximadamente 250 bilhões de zlotys.
O San deve atuar como “camada” adicional de um conjunto já em expansão, que inclui sistemas Patriot (programa Wisła), mísseis de curto alcance (Narew) e a defesa de muito curto alcance (Pilica). A proposta é integrar sensores e meios de engajamento em uma rede focada principalmente em neutralizar drones, com promessa de resposta mais eficiente e de menor custo do que empregar caças ou mísseis contra alvos baratos e numerosos.
Tusk também vinculou o projeto ao fortalecimento da fronteira com Rússia e Belarus (que é, ao mesmo tempo, fronteira da União Europeia e da OTAN) e disse que levará a “dimensão europeia” do programa e da iniciativa Eastern Shield para discussões com líderes europeus em Zagreb, defendendo que a segurança do leste não é apenas tarefa de Varsóvia, mas responsabilidade coletiva.