A China decidiu endurecer o tom contra a Europa e anunciou a suspensão imediata da exportação de itens de uso duplo para sete entidades europeias ligadas ao setor de defesa. Segundo o Ministério do Comércio chinês, as organizações foram incluídas na lista de controle de exportações por participação em negócios militares com Taiwan ou por colaboração com a ilha.
Entre as atingidas estão a alemã Hensoldt AG, do ramo de eletrônica de defesa, e a FN Browning, sediada na Bélgica e conhecida pela produção de armas esportivas e militares. Pequim também determinou que empresas e indivíduos estrangeiros não poderão repassar a essas entidades produtos de origem chinesa enquadrados como bens de uso duplo, categoria que inclui materiais, softwares e tecnologias com aplicação civil e militar.
Esse tipo de item é estratégico porque pode ser usado na fabricação de drones, chips e outros sistemas sensíveis. As autoridades chinesas afirmaram que qualquer atividade relacionada ao fornecimento desses produtos aos alvos da punição deve ser interrompida de imediato.
Pequim informou ainda que comunicou a União Europeia antes do anúncio, por meio do mecanismo bilateral de diálogo sobre controle de exportações. O governo chinês tentou reduzir o impacto político da medida ao dizer que a decisão se limita a itens de uso duplo e não deve afetar o comércio normal entre China e Europa.
A medida chama atenção porque sanções chinesas ligadas a Taiwan costumam ter como alvo principal empresas dos Estados Unidos, principal fornecedor de armas da ilha. A Europa, por sua vez, evita há décadas vender equipamentos militares de maior porte a Taipei, justamente para não provocar reação de Pequim.
Mesmo assim, Taiwan vem encontrando mais apoio em partes da Europa Central e do Leste, movimento que ganhou força após a invasão russa da Ucrânia em 2022. Já o governo taiwanês mantém a posição de que apenas a população da ilha pode decidir seu próprio futuro e rejeita as reivindicações de soberania feitas por Pequim.