O Departamento de Justiça dos Estados Unidos decidiu ampliar os protocolos federais de execução e voltou a incluir o pelotão de fuzilamento, além da injeção com pentobarbital. A ordem foi encaminhada ao Bureau of Prisons e faz parte de uma estratégia mais ampla para reforçar a aplicação da pena de morte no nível federal, com a justificativa de acelerar casos já definidos pela Justiça após o fim dos recursos dos condenados.
A escolha chama atenção porque o fuzilamento ocupa um espaço pequeno, mas marcante, na história penal americana. O método ficou especialmente ligado ao estado de Utah, onde a legislação do século 19 já permitia que condenados fossem executados por tiro, forca ou até decapitação. Foi também em Utah que ocorreu um dos episódios mais conhecidos desse histórico, quando Gary Gilmore foi morto por pelotão de fuzilamento em 17 de janeiro de 1977, tornando-se o primeiro executado nos EUA após a retomada da pena de morte no país.
Mesmo assim, o recurso sempre foi raro. Antes de março de 2025, a execução de Ronnie Lee Gardner, em Utah, em 2010, era a mais recente por esse método. Já a morte de Brad Sigmon, na Carolina do Sul, em 7 de março de 2025, foi a primeira execução por fuzilamento nos Estados Unidos em 15 anos. Segundo a Associated Press, desde 1977 apenas outros três presos haviam sido mortos dessa forma, todos em Utah. Em 2015, o próprio Utah voltou a autorizar o método como alternativa para situações em que o estado não consiga obter os medicamentos usados na injeção letal.
Com a decisão anunciada agora, Washington resgata um instrumento que ficou por décadas quase restrito ao debate estadual e o traz novamente para o centro da política criminal federal americana.