A Ucrânia quer colocar em serviço 25 mil veículos terrestres não tripulados no primeiro semestre de 2026, mais que o dobro do total contratado em 2025. A meta do Ministério da Defesa é ambiciosa: transferir toda a logística da linha de frente para sistemas robóticos, reduzindo a exposição direta dos militares em missões de abastecimento e evacuação. Em março, as Forças Armadas ucranianas já teriam realizado mais de 9 mil operações com esse tipo de equipamento.
O esforço faz parte de uma corrida maior de modernização. Desde janeiro, Kiev afirma ter investido mais de 14 bilhões de hryvnias (cerca de US$ 330 milhões) no envio de mais de 181 mil drones, robôs terrestres e sistemas de guerra eletrônica ao front, por meio de um modelo digital de compras que permite às unidades encomendar equipamentos diretamente de fabricantes locais. O governo também começou a fechar contratos para 2027, numa tentativa de dar previsibilidade à indústria nacional.
Entre os sistemas já liberados está o Bizon-L, um robô logístico capaz de transportar até 300 quilos e operar em um raio de 50 quilômetros. Segundo o governo ucraniano, mais de 22 mil missões não tripuladas foram executadas nos últimos três meses, poupando soldados de tarefas especialmente arriscadas. Kiev também destaca o avanço da sua base industrial: hoje, cerca de 300 empresas atuam no segmento de drones terrestres dentro do ecossistema Brave1, que coordena testes, financiamento e adaptação de tecnologias para uso no campo de batalha.