A Casa Branca estaria avaliando formas de pressionar países europeus que se recusaram a apoiar a guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Entre as medidas discutidas em um e-mail interno do Pentágono, uma das mais sensíveis envolveria rever o apoio diplomático americano à posição britânica sobre as Ilhas Falkland, conhecidas na Argentina como Malvinas.
A possível mudança atingiria diretamente o Reino Unido, que administra o arquipélago no Atlântico Sul desde o século XIX e enfrentou a Argentina em uma guerra pelo controle das ilhas em 1982. Londres afirma que a soberania britânica não está em discussão e sustenta que cabe aos moradores das Falklands decidir seu próprio futuro político.
Oficialmente, Washington não reconhece a soberania plena de nenhum dos dois lados. A posição tradicional dos Estados Unidos é tratar o tema como uma disputa bilateral entre britânicos e argentinos, reconhecendo apenas a administração de fato do Reino Unido sobre as ilhas. Na prática, porém, os EUA historicamente ajudaram Londres a reduzir o peso de iniciativas diplomáticas favoráveis à Argentina em fóruns internacionais.
A tensão surge em um momento de irritação de Donald Trump com aliados da OTAN. O presidente americano tem criticado governos europeus que limitaram o uso de bases, negaram direitos de sobrevoo ou evitaram envolvimento direto na campanha contra o Irã. Dentro desse contexto, a revisão da postura sobre as Falklands seria vista como uma forma de atingir simbolicamente interesses britânicos e europeus.
Para a Argentina, uma eventual mudança americana poderia dar novo fôlego à reivindicação sobre as Malvinas, especialmente em organismos como a ONU, onde o tema ainda aparece ligado ao debate sobre territórios não autônomos. Buenos Aires argumenta que herdou os direitos sobre as ilhas da Espanha após a independência e rejeita a aplicação do princípio de autodeterminação aos habitantes locais.
Apesar do impacto político da ideia, uma guinada real parece improvável. Reino Unido e Estados Unidos mantêm laços militares, diplomáticos e de inteligência muito profundos, e uma mudança desse tamanho encontraria resistência dentro do próprio sistema americano. Além disso, Trump deve receber o rei Charles em visita de Estado, o que pode ajudar a reduzir a temperatura da crise com Londres.