Os Estados Unidos vão enviar negociadores a Islamabad neste sábado, em uma nova tentativa de destravar as conversas para encerrar a guerra contra o Irã. No entanto, Teerã já sinalizou que não pretende se reunir diretamente com representantes americanos, preferindo transmitir suas posições por meio do Paquistão, que atua como mediador.
Segundo a Casa Branca, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner devem viajar para a capital paquistanesa para tratar do impasse com o chanceler iraniano, Abbas Araqchi. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o Irã ainda tem uma oportunidade de fechar um acordo, desde que aceite abandonar qualquer caminho rumo a uma arma nuclear de forma verificável.
Araqchi chegou a Islamabad na sexta-feira e também deve visitar Omã e Rússia. Apesar da movimentação diplomática, o Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que não há plano para uma reunião direta com os americanos. A Casa Branca, por sua vez, indicou que vê algum avanço recente nas posições iranianas e não descartou uma viagem do vice-presidente JD Vance ao Paquistão.
O impasse ocorre em meio a uma crise cada vez mais pesada para os mercados globais. O Estreito de Hormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo transportado por mar no mundo, segue praticamente paralisado. Dados de navegação apontaram que apenas cinco navios cruzaram a passagem em 24 horas, contra cerca de 130 por dia antes da guerra iniciada em 28 de fevereiro por EUA e Israel.
A pressão também aparece no preço do petróleo. O Brent disparou 16% na semana, refletindo o temor de que as negociações fracassem e de que a crise no Golfo continue afetando o fluxo de energia. Enquanto isso, Washington mantém o bloqueio às exportações iranianas de petróleo, ampliando o desgaste econômico sobre Teerã.
No front diplomático, Trump disse que o Irã pretende apresentar uma proposta para atender às exigências americanas, embora tenha afirmado não saber ainda o conteúdo da oferta. O presidente também prorrogou unilateralmente um cessar-fogo de duas semanas para dar mais tempo às tratativas.
A situação no Líbano acrescenta outro obstáculo. Israel e Líbano prorrogaram por três semanas o cessar-fogo mediado pela Casa Branca, mas os combates no sul do país continuam. Para Teerã, uma trégua efetiva naquela frente é uma condição importante para qualquer avanço nas negociações.