A Alemanha começa a ser vista em Washington como o país mais bem posicionado para liderar a transformação da segurança europeia dentro da OTAN. A avaliação foi feita por Elbridge Colby, subsecretário de Guerra para Política dos Estados Unidos e um dos nomes mais influentes do Pentágono na formulação da estratégia de defesa americana.
Segundo Colby, a nova estratégia militar alemã aponta para uma mudança importante dentro da Aliança. Berlim estaria assumindo com mais seriedade o compromisso firmado pelos países da OTAN de elevar os gastos com defesa para pelo menos 5% do PIB até 2035. Para o representante americano, esse movimento coloca a Alemanha entre os membros europeus que mais avançam na direção de uma OTAN mais forte e menos dependente dos Estados Unidos.
Essa nova fase tem sido chamada por Colby de “OTAN 3.0”. A ideia é que Europa e Canadá passem a carregar uma parcela maior da responsabilidade pela defesa convencional do continente, enquanto Washington mantém papel central, mas concentra cada vez mais atenção no Indo-Pacífico e no Hemisfério Ocidental.
A visão do Pentágono também reforça a importância de áreas consideradas decisivas para a defesa futura da Aliança, como sistemas antiaéreos, drones, munições, radares e capacidades espaciais. Nesse contexto, a Alemanha aparece como um ator cada vez mais relevante.
O próprio comando militar alemão defende uma mudança de patamar. O general Carsten Breuer, inspetor-geral da Bundeswehr, afirma que a maior economia da Europa precisa assumir uma responsabilidade militar compatível com seu peso político e econômico. A meta é transformar as Forças Armadas alemãs na principal força convencional do continente.
Pelos planos atuais, a Bundeswehr deve chegar, em meados da década de 2030, a cerca de 460 mil integrantes, incluindo 200 mil reservistas. Esse crescimento faz parte de um esforço mais amplo para recuperar capacidades militares, ampliar a prontidão e adaptar a Alemanha a um cenário europeu marcado pela ameaça russa e pela pressão dos Estados Unidos por maior participação dos aliados.
Colby resumiu a mensagem afirmando que a OTAN precisa se tornar “mais europeia” para continuar sendo verdadeiramente transatlântica. Na prática, isso significa que os EUA continuarão sendo indispensáveis, mas esperam que os aliados europeus deixem de depender quase totalmente da proteção americana e assumam ações concretas, rápidas e mensuráveis na defesa do próprio continente.