Kim Jong Un reconheceu publicamente que militares norte-coreanos enviados para lutar ao lado da Rússia na guerra contra a Ucrânia deveriam tirar a própria vida para evitar a captura. A declaração foi feita durante uma cerimônia em Pyongyang em homenagem aos soldados mortos no conflito.
O líder norte-coreano elogiou combatentes que teriam recorrido ao chamado “autoexplosão”, apresentando esses militares como heróis que defenderam a honra do país. A fala reforça denúncias feitas há meses por autoridades ucranianas, sul-coreanas e ocidentais, segundo as quais tropas da Coreia do Norte receberam ordens para não cair vivas nas mãos de forças ucranianas.
A cerimônia marcou também a inauguração de um novo memorial na capital norte-coreana, aberto em 26 de abril. O local reúne túmulos de cerca de 280 soldados, mas a inteligência sul-coreana estima que aproximadamente 2 mil norte-coreanos tenham morrido durante a campanha russa para expulsar tropas ucranianas da região de Kursk.
Pyongyang já havia reconhecido anteriormente apenas 101 baixas. Nem a Coreia do Norte nem a Rússia divulgaram números oficiais sobre as perdas. Estima-se que entre 14 mil e 15 mil soldados norte-coreanos tenham sido enviados para território russo entre o fim de 2024 e junho de 2025.
Moscou e Pyongyang negaram inicialmente a presença dessas tropas no front, mas acabaram admitindo o envolvimento norte-coreano em abril de 2025. Durante a inauguração do memorial, Kim afirmou que a campanha escreveu “uma nova história de amizade entre Coreia e Rússia com sangue”. Vladimir Putin, por sua vez, enviou uma carta classificando o local como símbolo da união entre os dois países.
Em troca do apoio militar, a Coreia do Norte teria recebido dinheiro, alimentos e assistência técnica. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que milhares de soldados norte-coreanos ainda permaneciam na Rússia em fevereiro. Até agora, apenas dois militares norte-coreanos foram capturados vivos pela Ucrânia.