A Rússia fará o tradicional desfile do Dia da Vitória, em 9 de maio, sem a exibição de tanques, blindados, artilharia e mísseis na Praça Vermelha. A decisão, confirmada pelo Ministério da Defesa russo, marca a primeira vez desde o início da guerra em larga escala contra a Ucrânia, em 2022, que Moscou retira do evento a habitual demonstração de veículos militares.
Segundo as autoridades russas, a mudança foi tomada por causa da “situação operacional atual”, sem mais detalhes. O desfile, no entanto, não foi cancelado. A cerimônia deve contar com militares de instituições de ensino das Forças Armadas e de diferentes ramos das tropas russas, além da tradicional passagem de aeronaves militares.
O evento celebra a vitória soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, chamada na Rússia de Grande Guerra Patriótica. A data tem enorme peso simbólico no país, que perdeu cerca de 27 milhões de pessoas no conflito, e há anos é usada pelo Kremlin como uma vitrine de patriotismo, poder militar e unidade nacional.
Sob Vladimir Putin, o Dia da Vitória ganhou ainda mais importância política. O Kremlin costuma associar a memória da Segunda Guerra Mundial à atual guerra contra a Ucrânia, tentando apresentar o conflito como parte de uma luta histórica pela segurança e pelo papel global da Rússia.
A redução deste ano contrasta com o desfile de 2025, que foi o maior desde a invasão da Ucrânia. Na ocasião, mais de 11.500 militares e mais de 180 veículos foram apresentados, incluindo tanques, blindados, peças de artilharia, drones em caminhões militares e lançadores de mísseis intercontinentais Yars, capazes de portar ogivas nucleares. Caças também sobrevoaram a Praça Vermelha.
Naquele ano, Moscou ainda adotou medidas extras de segurança. Putin havia anunciado um cessar-fogo unilateral de 72 horas a partir de 7 de maio, enquanto as autoridades russas chegaram a bloquear a internet móvel na capital por vários dias para tentar reduzir o risco de ataques ucranianos com drones. Em 2023, o desfile também já havia sido mais modesto, com menos tropas, menos equipamentos e sem sobrevoo militar.