A Coreia do Norte pode ter perdido pelo menos 2.288 militares na guerra da Rússia contra a Ucrânia. A estimativa foi feita pelo NK Pro, com base nos nomes gravados em colunas memoriais recém-instaladas em Pyongyang para homenagear soldados mortos em operações no exterior.
O monumento também carrega uma mensagem política. Segundo especialistas ouvidos pela publicação, a homenagem funciona como um lembrete a Moscou de que o regime norte-coreano pagou um preço alto por seu apoio militar e espera contrapartidas da Rússia.
De acordo com a OTAN, Pyongyang enviou cerca de 11 mil soldados para a Rússia em 2024. Esses militares teriam participado dos combates contra forças ucranianas na região russa de Kursk. A aliança estima que aproximadamente 1.500 norte-coreanos morreram e outros 3.500 ficaram feridos. No início de 2025, a Coreia do Norte teria enviado mais 3.500 soldados para reforçar o esforço de guerra russo.
Em abril, o regime de Kim Jong Un inaugurou em Pyongyang um complexo memorial e um museu dedicado às operações militares no exterior. A cerimônia contou com a presença de autoridades russas de alto escalão, incluindo o presidente da Duma, Vyacheslav Volodin, e o ministro da Defesa, Andrey Belousov.
Durante o evento, Volodin leu uma mensagem de Vladimir Putin, na qual o presidente russo elogiou a “coragem excepcional” dos soldados norte-coreanos e afirmou que a ajuda de Pyongyang permanecerá na memória do povo russo. Para Kim Jong Un, o memorial transforma perdas militares em capital político. Para Moscou, reforça a profundidade de uma parceria cada vez mais estratégica.