Israel teria transferido aos Emirados Árabes Unidos uma versão do sistema de defesa a laser Iron Beam para reforçar a proteção do país durante os recentes ataques iranianos com mísseis e drones. A iniciativa marca um avanço importante na cooperação militar entre Jerusalém e Abu Dhabi, aproximados desde os Acordos de Abraão, firmados em 2020.
Além do sistema a laser, os israelenses também teriam enviado aos emiradenses o Spectro, um equipamento avançado de vigilância capaz de detectar drones iranianos a uma distância de até 20 quilômetros. Outros sistemas de armas, não detalhados publicamente, também teriam sido deslocados para o país do Golfo.
A ajuda não ficou restrita aos equipamentos. Israel também teria compartilhado informações de inteligência em tempo real sobre lançamentos de mísseis iranianos rumo aos Emirados, permitindo uma resposta mais rápida das defesas locais. Segundo relatos anteriores, uma bateria do Iron Dome também foi enviada ao país, com militares israelenses destacados para operá-la.
Grande parte dos sistemas enviados ainda estaria em fase de protótipo ou não totalmente integrada à rede de defesa israelense. Mesmo assim, a urgência da guerra teria levado Israel a acelerar o envio do material, diante da intensidade dos ataques iranianos contra alvos no Golfo.
O Iron Beam é visto como uma das apostas mais importantes de Israel para reduzir o custo das interceptações. Ao contrário de sistemas baseados em mísseis, o laser depende principalmente de energia elétrica, o que elimina o problema do esgotamento de munição enquanto houver fonte de energia disponível. A ideia é que ele complemente o Iron Dome, o David’s Sling e o sistema Arrow, deixando alvos menores para o laser e ameaças mais complexas para os interceptadores tradicionais.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, os Emirados Árabes Unidos se tornaram um dos principais alvos de Teerã. Entre o começo do conflito e o cessar-fogo de 8 de abril, o Irã teria lançado cerca de 550 mísseis balísticos e de cruzeiro, além de mais de 2.200 drones contra o país, segundo dados atribuídos ao Ministério da Defesa emiradense. A maioria foi interceptada, mas alguns ataques atingiram instalações militares e civis.
A cooperação revela uma mudança relevante no cenário regional. Até pouco tempo atrás, a aproximação militar entre Israel e os Emirados era mais discreta e concentrada em treinamentos, contatos diplomáticos e coordenação de segurança. Agora, com sistemas de defesa, inteligência em tempo real e presença de pessoal militar, a parceria ganhou um caráter muito mais operacional.