O Estreito de Ormuz voltou ao centro da crise no Oriente Médio depois que o presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos ajudarão embarcações retidas na região a deixar águas bloqueadas pela guerra contra o Irã. A resposta de Teerã veio em tom de ameaça: as Forças Armadas iranianas avisaram que qualquer aproximação de forças navais americanas ao estreito poderá ser tratada como ato hostil.
A tensão aumentou ainda mais após um petroleiro informar ter sido atingido por projéteis desconhecidos a cerca de 78 milhas náuticas ao norte de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo a agência marítima britânica UKMTO, todos os tripulantes foram dados como seguros, mas os detalhes do ataque ainda não estavam claros.
Trump afirmou que Washington pretende orientar navios de países afetados para que consigam sair com segurança das rotas restritas. O Comando Central dos EUA disse que a operação terá apoio de cerca de 15 mil militares, mais de 100 aeronaves baseadas em terra e no mar, além de navios de guerra e drones. A missão, segundo os americanos, combina coordenação militar e ação diplomática, enquanto o bloqueio naval contra o Irã continua em vigor.
O Irã, por sua vez, declarou que a segurança do Estreito de Ormuz está sob seu controle e orientou navios comerciais e petroleiros a não se movimentarem sem coordenação prévia com suas forças militares. Nos últimos dois meses, centenas de embarcações e até 20 mil tripulantes ficaram impedidos de cruzar a região, de acordo com a Organização Marítima Internacional.
A crise no estreito tem forte impacto global. A passagem é uma das rotas mais importantes do planeta para petróleo e gás, e sua paralisação ajudou a empurrar os preços do petróleo novamente para acima de US$ 100 por barril na semana passada. Em ano eleitoral legislativo nos Estados Unidos, a alta dos combustíveis também aumenta a pressão doméstica sobre Trump.
Nos bastidores, diplomatas tentam reabrir uma via de negociação. A imprensa estatal iraniana afirma que Teerã recebeu, por meio do Paquistão, uma resposta americana a uma proposta de paz de 14 pontos. O plano iraniano incluiria o fim dos bloqueios no Golfo, retirada de forças dos EUA da região, liberação de ativos congelados, compensações financeiras, suspensão de sanções e um novo mecanismo de controle para o Estreito de Ormuz.
O principal impasse segue sendo o programa nuclear iraniano. Washington exige restrições duras antes do fim definitivo da guerra, incluindo a entrega de mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido. O Irã afirma que seu programa tem fins pacíficos e diz aceitar discutir limites, desde que haja alívio de sanções e fim das pressões militares.