O Kremlin teria ampliado o esquema de proteção ao redor de Vladimir Putin, em meio a receios de atentados, vazamentos internos e possíveis movimentos de conspiração dentro da elite russa. As medidas aparecem em um relatório de inteligência europeu citado pela CNN e por outros veículos internacionais.
Segundo o documento, funcionários próximos ao presidente russo passaram a ser submetidos a regras mais rígidas. Cozinheiros, fotógrafos e seguranças estariam proibidos de usar transporte público, enquanto pessoas autorizadas a se reunir com Putin precisam passar por duas etapas de revista. Integrantes do círculo mais próximo também só poderiam usar celulares sem acesso à internet.
O relatório afirma ainda que sistemas de vigilância foram instalados nas casas de funcionários ligados diretamente à rotina presidencial. A preocupação central seria impedir vazamentos de informações sensíveis e reduzir o risco de monitoramento externo. Putin também teria diminuído o número de locais que costuma visitar e evitado deslocamentos para residências tradicionais nos arredores de Moscou e em Valdai.
Desde o início da guerra na Ucrânia, o presidente russo teria passado períodos prolongados em instalações subterrâneas reforçadas, especialmente na região de Krasnodar, próxima ao Mar Negro. Para manter a imagem de normalidade, o Kremlin estaria recorrendo com frequência a vídeos gravados anteriormente e divulgados como se fossem registros recentes.
Outro ponto sensível envolve Sergei Shoigu, que comandou o Ministério da Defesa por anos e hoje ocupa o cargo de secretário do Conselho de Segurança da Rússia. O relatório o apresenta como uma possível ameaça política, apesar de não trazer provas públicas de uma conspiração. A tensão teria aumentado após a prisão de Ruslan Tsalikov, aliado próximo de Shoigu, sob acusações de corrupção.
As preocupações também cresceram após assassinatos e ataques contra figuras militares russas, além de operações ucranianas em profundidade no território russo. Em resposta, Putin teria ampliado o papel do Serviço Federal de Proteção, responsável por sua segurança, incluindo a proteção de comandantes militares de alto escalão.
O clima de alerta deve influenciar até a tradicional parada do Dia da Vitória, em 9 de maio. Moscou anunciou que o desfile na Praça Vermelha não terá blindados pesados, como tanques e mísseis, algo incomum para um evento usado há décadas como vitrine do poder militar russo. Oficialmente, o Kremlin fala em ameaças terroristas e necessidade de reduzir riscos.