O Kuwait acusou o Irã de atacar plantas de geração de energia e dessalinização de água, elevando o risco de interrupções no abastecimento de água potável em um dos países mais dependentes desse tipo de infraestrutura no Golfo Pérsico.
Segundo autoridades kuwaitianas, uma das instalações atingidas sofreu incêndio e danos em unidades de geração elétrica. O governo afirmou que equipes de emergência foram mobilizadas para conter os danos e manter o funcionamento dos serviços essenciais. A Reuters informou que o Ministério da Eletricidade, Água e Energia Renovável do Kuwait confirmou o ataque contra uma planta combinada de energia e dessalinização.
A Associated Press relatou que o ataque atingiu uma planta de dessalinização e uma instalação petrolífera, e destacou que este foi o segundo ataque contra esse tipo de infraestrutura no Kuwait em dois dias. O país depende da dessalinização para cerca de 90% da sua água potável, o que torna qualquer dano a essas estruturas um risco direto à segurança hídrica nacional.
O caso ocorre em meio à escalada militar entre Irã, Estados Unidos e aliados regionais de Washington. A Guarda Revolucionária iraniana reivindicou ataques contra alvos ligados a países que abrigam forças americanas, enquanto o Kuwait acusou Teerã de atingir infraestrutura vital e colocar civis em perigo.
A vulnerabilidade do Kuwait é especialmente grave porque suas plantas de dessalinização ficam concentradas em áreas costeiras e, em muitos casos, operam junto a usinas de energia. Isso significa que um ataque pode afetar ao mesmo tempo eletricidade, produção de água potável e capacidade de resposta emergencial.
Em março, um ataque atribuído ao Irã já havia atingido um prédio de serviço em uma planta de energia e dessalinização no Kuwait, matando um trabalhador indiano e causando danos materiais, segundo o próprio Ministério da Eletricidade, Água e Energia Renovável do país.
O novo ataque reforça uma preocupação crescente no Golfo, a possibilidade de que a guerra deixe de mirar apenas bases militares e passe a atingir estruturas civis essenciais. No caso kuwaitiano, a dessalinização não é apenas um serviço público, mas um pilar de sobrevivência nacional.