A morte de dois militares dos Estados Unidos em um ataque iraniano contra a base aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia, ampliou o alerta sobre a capacidade do Irã de atingir instalações americanas no Oriente Médio. Segundo o Comando Central dos EUA, outro militar segue desaparecido após o ataque, que envolveu mísseis balísticos e drones.
O episódio reforça a percepção de que o conflito entrou em uma fase mais perigosa. Nas últimas semanas, Teerã passou a atacar bases e posições ligadas aos EUA em países como Jordânia, Kuwait, Bahrain e outros pontos do Golfo. A Reuters já havia relatado ataques iranianos com mísseis e drones contra bases americanas na região após novas ações militares dos EUA perto do Estreito de Hormuz.
A preocupação central é que o Irã esteja ajustando seu arsenal para explorar brechas nas defesas aéreas americanas e de seus aliados. Sistemas como Patriot, THAAD e outras camadas de defesa conseguem interceptar muitos ataques, mas podem ser pressionados por salvas repetidas, drones de ataque, mísseis balísticos e lançamentos em diferentes direções. Países do Golfo passaram anos montando redes de defesa aérea, mas a nova onda de ataques mostra que essas estruturas podem ser colocadas sob grande pressão em um conflito prolongado.
Há anos, comandantes iranianos afirmam que o país possui capacidades militares ainda não totalmente reveladas. Muitas dessas declarações foram tratadas como propaganda e guerra psicológica, mas os ataques recentes deram mais peso a esse discurso. Mesmo que parte do arsenal iraniano tenha sido degradada por bombardeios dos EUA e de Israel, analistas apontam que Teerã continua tentando usar mísseis e drones de forma constante para desgastar as defesas adversárias e manter bases americanas sob ameaça.
O risco agora é um ciclo de retaliação cada vez mais intenso. Após o ataque na Jordânia, os EUA anunciaram novos bombardeios contra alvos iranianos. Para Washington, a resposta busca punir Teerã e reduzir sua capacidade de atingir forças americanas. Para o Irã, os ataques são apresentados como reação às operações dos EUA. Essa dinâmica aumenta o risco de novos golpes contra bases, aeroportos, radares, navios e instalações estratégicas em toda a região.