O novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, continua fora da vida pública meses depois de assumir o cargo, alimentando dúvidas sobre quem realmente toma as decisões mais importantes em Teerã.
Segundo relatos da imprensa internacional, Mojtaba não é visto em público desde o ataque de 28 de fevereiro, que matou seu pai, o ex-Líder Supremo Ali Khamenei, além de outros membros da família e figuras importantes do regime iraniano. A ausência ficou ainda mais evidente durante as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, quando outros familiares e autoridades apareceram publicamente, mas Mojtaba permaneceu afastado.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o líder “não tem problema”, mas a própria ausência prolongada reforça as especulações sobre seu estado de saúde e sobre seu nível real de controle político. A agência EFE informou que, até meados de março, Mojtaba só havia aparecido em cartazes e imagens oficiais, sem vídeos ou áudios divulgados diretamente por ele.
A CNN relatou que mensagens atribuídas ao novo líder têm sido lidas na televisão estatal ou publicadas em redes sociais, enquanto fontes citadas pela imprensa dizem que ele participa de decisões por meio de contatos restritos e audioconferências. Isso indica que um grupo muito pequeno pode ter acesso direto ao Líder Supremo.
A situação expõe uma fragilidade incomum no sistema iraniano. Ali Khamenei foi, por décadas, o rosto visível do poder no país. Já Mojtaba governa de forma distante, cercado por suspeitas sobre ferimentos, medo de novos ataques e crescente dependência da Guarda Revolucionária.
Para o regime, manter Khamenei escondido pode ser uma medida de segurança. Para seus críticos, porém, a ausência transmite fraqueza e levanta uma pergunta central: o Irã ainda tem um Líder Supremo no comando direto do país ou o poder real está nas mãos de uma estrutura militar e de segurança que governa em seu nome?