Liu Jianchao, de 61 anos, que recentemente se destacava como um possível futuro ministro das Relações Exteriores da China, foi levado para questionamento pelas autoridades após retornar de compromissos oficiais em julho. Embora os motivos de sua detenção ainda não sejam claros, fontes próximas ao caso afirmam que o incidente ocorre em meio a um contexto de purgas internas do Partido Comunista Chinês, que têm se intensificado sob a liderança de Xi Jinping.
Durante sua última viagem aos Estados Unidos em 2024, Liu foi amplamente elogiado por sua abordagem diplomática, enfatizando a necessidade de uma relação estável entre as duas nações. Em Washington e Nova York, ele foi bem recebido por autoridades e empresários, incluindo figuras proeminentes como os CEOs de Blackstone e Bridgewater, Stephen Schwarzman e Ray Dalio, além do Secretário de Estado Antony Blinken.
Na China, no entanto, sua postura aberta e seu engajamento direto com líderes ocidentais geraram controvérsias internas. A decisão de Liu de se apresentar como um possível ministro das Relações Exteriores sem um anúncio formal em Beijing foi vista como politicamente imprudente, considerando a tradição do Partido Comunista de manter tais movimentações dentro de um controle rígido.
Liu tem sido uma figura proeminente na política externa da China desde os anos 1980, com passagens marcantes em postos-chave no governo e uma carreira consolidada no Ministério das Relações Exteriores. Ele também se destacou em campanhas de combate à corrupção, incluindo a “Operação Caça à Raposa”, que visava caçar fugitivos chineses envolvidos em corrupção no exterior.
Sua detenção marca o episódio de mais alto perfil desde a remoção de Qin Gang, ex-ministro das Relações Exteriores, em 2023, após a revelação de um escândalo pessoal envolvendo um caso extraconjugal. A saída de Qin abriu espaço para Liu, que era visto como um forte candidato à sua sucessão, dada a sua experiência diplomática e reputação interna.
A ausência de Liu no cenário internacional e a crescente repressão interna levantam questões sobre a direção futura da diplomacia chinesa, especialmente em um período de crescente tensão com os Estados Unidos e outras potências ocidentais.