Um novo relatório do Institute for the Study of War (ISW) chamou atenção para os riscos estratégicos associados à retirada total das forças ucranianas da região de Donetsk como parte de um eventual cessar-fogo. Os analistas destacam que isso significaria abrir mão da chamada “cintura defensiva” — uma linha fortificada que há mais de uma década reforça a segurança no local — e colocaria em perigo significativamente maior os territórios vizinhos de Kharkiv e Dnipropetrovsk.
De acordo com o estudo, essa zona defensiva estende-se ao longo de cerca de 50 km, acompanhando a rota H‑20 entre Kostyantynivka e Slovyansk. Desde 2014, as tropas ucranianas investiram tempo, equipamentos e recursos nessa infraestrutura militar — e os russos não conseguiram conquistá-la mesmo após 3,5 anos de guerra em grande escala, o que atesta sua robustez.
Cedo demais para considerar retirada
O ISW alerta que ceder essa linha defensiva como condição para um cessar-fogo, sem um acordo de paz completo e seguro, seria uma decisão arriscada. Abandonar essa posição permitiria aos russos evitar um confronto lento e custoso, ganhando terreno com maior vantagem estratégica.
Além disso, avançar para a fronteira com Kharkiv e Dnipropetrovsk tornaria ainda mais difícil para a Ucrânia construir novas defesas em terreno menos favorável — vastas planícies sem proteção natural, como rios, que seriam difíceis de usar como linha de contenção eficaz.