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A Alemanha endureceu o tom contra a condução da guerra pelos Estados Unidos no Irã. Em visita à Austrália, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, afirmou que a campanha militar americana vem sendo marcada por mensagens contraditórias aos aliados europeus e, principalmente, pela ausência de um objetivo final claramente definido. Segundo ele, o maior problema é que não há uma estratégia de saída visível para encerrar o conflito.
Berlim também deixou claro que não pretende se envolver diretamente enquanto os combates continuarem. Pistorius afirmou que a Alemanha não será arrastada para a guerra e que qualquer participação militar alemã no entorno do Estreito de Ormuz só entraria em discussão depois de um cessar-fogo ou de algum acordo que estabilize a situação. A ideia, nesse caso, seria ajudar a garantir a liberdade de navegação, e não participar da fase ativa da guerra.
Ao mesmo tempo, o governo alemão aderiu a uma declaração conjunta assinada por 22 países pedindo que o Irã interrompa o bloqueio ao tráfego comercial na região. O estreito segue no centro da crise, tanto pelo peso estratégico que tem para o fluxo global de petróleo quanto pelo impacto econômico que seu fechamento vem provocando. Em meio a esse cenário, aliados dos EUA passaram a cobrar mais clareza sobre os objetivos militares de Washington e sobre a existência, ou não, de um caminho diplomático para encerrar a guerra.
Nos bastidores, a posição alemã reflete um incômodo mais amplo dentro da Europa. Diversos governos do continente vêm sinalizando que não querem entrar em uma guerra cujo desfecho permanece incerto. A avaliação em várias capitais europeias é que o conflito já produz efeitos desestabilizadores sobre a economia, a segurança energética e a relação transatlântica, sem que os Estados Unidos tenham explicado com precisão como pretendem sair dele.