A visita de Ali Larijani (secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã) à Rússia ganhou destaque nesta sexta-feira (30), em meio ao aumento das tensões entre Teerã e Washington e a crescente especulação sobre uma possível ação militar americana.
Segundo nota divulgada pelo Kremlin, Larijani se encontrou com o presidente russo Vladimir Putin, mas o encontro só foi confirmado publicamente depois de concluído e sem a divulgação de detalhes. Já o embaixador iraniano em Moscou, Kazem Jalali, afirmou à imprensa estatal russa que as conversas trataram de temas “importantes” da agenda regional e internacional, além de cooperação bilateral.
O timing da viagem chama atenção. Dois dias antes (28), o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a elevar o tom e emitiu um ultimato, sinalizando que Washington poderia atacar o Irã caso não haja acordo para limitar o programa nuclear iraniano.
No plano interno, o Irã também atravessou semanas de instabilidade, com protestos em várias cidades e pedidos pela saída do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Em declarações que repercutiram internacionalmente, Trump encorajou os manifestantes e disse que “ajuda está a caminho”, alimentando dúvidas sobre a intenção real dos EUA (especialmente após ações recentes americanas na Venezuela). A repressão às manifestações foi dura, com relatos de milhares de mortos.
Embora um ataque americano não tenha ocorrido, o reforço contínuo de meios dos EUA no Oriente Médio mantém o debate vivo sobre a possibilidade de uma ofensiva.
A aproximação entre Moscou e Teerã, por sua vez, segue como um dos eixos centrais do cenário. A parceria se aprofundou durante a guerra na Ucrânia, com o Irã fornecendo equipamentos militares à Rússia (incluindo drones Shahed, amplamente usados em ataques e missões de saturação).