O major-general Mykhailo Drapatyi foi nomeado comandante-em-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, substituindo o general Oleksandr Syrskyi. Aos 43 anos, Drapatyi assume o principal cargo militar do país após construir sua reputação diretamente nos campos de batalha contra a Rússia.
Drapatyi ficou conhecido em 2014, quando comandava um batalhão da 72ª Brigada Mecanizada. Durante os confrontos em Mariupol, um BMP-2 sob seu comando atravessou em alta velocidade uma barricada montada por militantes apoiados pela Rússia. As imagens do episódio deram origem ao apelido de “BMP voador”.
Após o início da invasão russa em grande escala, em 2022, Drapatyi participou da defesa do sul da Ucrânia. As forças sob sua liderança ajudaram a impedir o avanço russo em direção a Kryvyi Rih, uma importante cidade industrial e terra natal do presidente Volodymyr Zelensky. Ele também teve participação na campanha que obrigou as tropas russas a abandonar a margem ocidental do rio Dnipro e a cidade de Kherson.
Em 2024, Drapatyi foi enviado à região de Kharkiv depois que a Rússia abriu uma nova frente perto da fronteira. A reação ucraniana conteve a ofensiva e impediu que Moscou conquistasse completamente Vovchansk, mantendo o avanço russo limitado a áreas próximas da fronteira. Seu desempenho aumentou sua influência dentro das Forças Armadas.
Drapatyi também ganhou respeito por assumir responsabilidade pelas falhas militares. Em junho de 2025, renunciou ao comando das Forças Terrestres após um ataque russo contra o 239º Centro de Treinamento matar 12 soldados e deixar mais de 60 feridos. Ele afirmou que não havia conseguido garantir o cumprimento adequado das medidas de segurança. Poucos dias depois, foi transferido para o Comando das Forças Conjuntas.
Considerado defensor de uma estrutura de comando mais flexível, Drapatyi critica a falta de iniciativa, o excesso de centralização e a distância entre os quartéis-generais e as unidades da linha de frente. Sua nomeação indica uma tentativa de modernizar o comando ucraniano e recuperar a confiança de militares e da população após as críticas dirigidas à antiga liderança.