A indústria de defesa da Rússia enfrenta um novo escândalo de corrupção, com a prisão de um ex-executivo sênior da principal fabricante de veículos de combate da infantaria do país, a AO “Kurganmashzavod”. A prisão foi efetuada por agentes da FSB (Serviço Federal de Segurança) da região de Kurgan, que acusaram o ex-chefe do departamento de metais da planta de abuso de poder na execução de um contrato de defesa estatal. As investigações indicam que o acusado causou “consequências graves” sob o Artigo 285.4, Parte 2, do Código Penal Russo.
Entre 2023 e 2025, o ex-executivo, movido por interesses pessoais, teria orientado seus subordinados a firmar contratos exclusivamente com um fornecedor de metais de Yekaterinburg, independentemente do preço ou da existência de alternativas. As autoridades estimam que esse esquema causou perdas de mais de 29 milhões de rublos (aproximadamente US$ 363.000) para a Kurganmashzavod devido à compra de metais excessivamente caros.
A Kurganmashzavod, um dos principais fornecedores de veículos blindados para as forças armadas russas, incluindo a série BMP, desempenhou um papel crucial no fornecimento de equipamentos para a guerra da Rússia na Ucrânia. A empresa não se pronunciou publicamente sobre a prisão.
Este caso ocorre em um momento em que tribunais russos também condenaram outro alto oficial da defesa, o Major General Denis Putilov, ex-chefe do serviço de veículos blindados do Distrito Militar Central. Putilov foi sentenciado a oito anos e meio de prisão em regime rigoroso, após ser considerado culpado de receber um suborno de grande escala no valor de 10 milhões de rublos (cerca de US$ 125.377). Entre 2023 e 2024, Putilov supervisionou contratos caros para a reparação e manutenção de equipamentos militares entre um cliente estatal e um empresário privado, sendo recompensado com a propina em troca de “patrocínio geral”.
As investigações revelaram que os termos do contrato nunca foram cumpridos, o que resultou em “danos substanciais” ao estado, representado pelo Ministério da Defesa russo. O processo criminal contra Putilov teve início em setembro de 2024. Além da pena de prisão, o tribunal cassou seu posto de general e proibiu-o de ocupar cargos administrativos e gerenciais em entidades estatais por seis anos.
Esses dois casos ressaltam um padrão crescente de corrupção de alto nível nos setores de defesa e industrial da Rússia. Nos últimos dois anos, mais de uma dúzia de investigações criminais foram abertas contra oficiais do Ministério da Defesa e de empresas de defesa. Em vários desses casos, indivíduos ligados a esses escândalos morreram em circunstâncias não esclarecidas.
Esse aumento nas acusações ocorre em um momento em que a Rússia intensifica sua produção de defesa para sustentar sua invasão da Ucrânia. Escândalos de corrupção envolvendo a compra de materiais supervalorizados, contratos de defesa não cumpridos e subornos levantam questões sobre a eficiência e a integridade da cadeia de suprimentos militares russas durante a guerra.