Porta-aviões USS Abraham Lincoln
As Forças Armadas dos Estados Unidos vão realizar um exercício aéreo de vários dias no Oriente Médio, em meio ao aumento da presença militar americana na região e à escalada de atritos com o Irã. O objetivo declarado é demonstrar capacidade de operar de forma distribuída, manter o ritmo de missões e atuar junto a parceiros em cenários exigentes.
A atividade será conduzida pela AFCENT (comando aéreo da região sob o CENTCOM). Segundo o comandante Derek France, o treinamento busca comprovar que as equipes conseguem se dispersar, operar e gerar surtidas de combate com segurança e precisão (em coordenação com forças parceiras). O comunicado não detalhou local exato, duração nem quais meios serão empregados.

O anúncio ocorre após declarações do presidente Donald Trump sobre o envio de uma “armada” na direção do Irã e enquanto o CENTCOM confirma a chegada do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln à área. Ainda assim, fontes ouvidas por veículos americanos indicam que não há sinal de decisão tomada sobre qualquer ação direta contra Teerã.
A tensão subiu nas últimas semanas por causa da repressão violenta do regime iraniano contra protestos antigoverno. Uma organização de direitos humanos baseada nos EUA (HRANA) divulgou números que apontam milhares de mortos, com parte das mortes ainda “em revisão”, e o próprio Irã reconheceu um grande número de vítimas (sem confirmar a mesma contagem). Trump tem alternado avisos duros e sinais de que Teerã poderia aceitar conversas, enquanto um oficial americano reafirmou que Washington continua aberto a diálogo (desde que o Irã aceite condições).
Do lado iraniano, o governo elevou o tom e afirmou que responderia a qualquer ataque com força, com potencial de desestabilizar toda a região. O porta-voz Esmaeil Baghaei disse que a presença de navios não mudaria a “determinação defensiva” do país e que as Forças Armadas acompanham cada movimento. Em Teerã, cartazes oficiais exibidos em áreas centrais também reforçam a mensagem de retaliação, incluindo imagens de propaganda contra um porta-aviões americano e referência a episódios passados envolvendo militares dos EUA.
O CENTCOM declarou que os exercícios serão feitos com aval dos países anfitriões e em coordenação com autoridades civis e militares de aviação, ressaltando segurança, precisão e respeito à soberania. Ao mesmo tempo, aliados regionais como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos têm sinalizado que não querem que seus espaços aéreos sejam usados em uma eventual ofensiva contra o Irã (e os Emirados também indicaram que não ofereceriam apoio logístico para esse tipo de ação).