O Comando Central dos Estados Unidos pediu autorização para enviar ao Oriente Médio o míssil hipersônico Dark Eagle, arma de longo alcance que poderia ser usada em ataques contra lançadores de mísseis balísticos no interior do Irã. Caso a medida seja aprovada, será a primeira vez que Washington posicionará esse tipo de armamento em um cenário real de possível combate.
A solicitação ocorre em meio à frágil trégua entre Estados Unidos e Irã, em vigor desde abril. Embora ainda não haja decisão final, o pedido indica que o Pentágono prepara opções para uma nova rodada de ataques, caso o presidente Donald Trump decida retomar as operações militares contra alvos iranianos.
Segundo fontes citadas pela Bloomberg, o Irã teria deslocado parte de seus lançadores para áreas mais profundas do território, fora do alcance de mísseis de precisão usados atualmente pelas forças americanas. O Dark Eagle, também conhecido como Long-Range Hypersonic Weapon (LRHW), teria alcance superior a 2.700 quilômetros e foi projetado para atingir alvos fortemente defendidos em altíssima velocidade.
O sistema é capaz de voar a mais de cinco vezes a velocidade do som e manobrar durante a aproximação do alvo, o que dificulta sua interceptação. A arma foi desenvolvida principalmente para enfrentar redes avançadas de defesa aérea, como as de China e Rússia, mas agora pode acabar sendo testada primeiro no Oriente Médio.
Apesar de seu potencial estratégico, o Dark Eagle ainda não foi declarado plenamente operacional e acumula atrasos em seu desenvolvimento. Cada míssil custaria cerca de US$ 15 milhões, enquanto uma bateria completa pode chegar a aproximadamente US$ 2,7 bilhões. O estoque disponível também seria muito limitado, com no máximo oito unidades.
A possível implantação teria ainda um peso simbólico. Além de ampliar a capacidade americana de atacar alvos distantes no Irã, a medida serviria como demonstração de força diante de rivais estratégicos que já exibem armas hipersônicas em seus arsenais. Ao mesmo tempo, reforça a percepção de que a trégua atual pode não significar o fim da guerra, mas apenas uma pausa antes de uma fase mais intensa do conflito.