FILE - President Daniel Ortega and his wife, Vice President Rosario Murillo, lead a rally in Managua, Nicaragua, Sept. 5, 2018. (AP Photo/Alfredo Zuniga, File)
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, na quinta-feira (23), uma nota afirmando ter recebido com “preocupação” a declaração de Daniel Ortega de que não haverá mais eleições na Nicarágua.
Ortega anunciou a medida no domingo (19), durante uma cerimônia pelo aniversário da Revolução Sandinista. O ditador nicaraguense afirmou que as eleições seriam eliminadas para impedir que grupos de oposição chegassem ao poder.
Na nota, o Itamaraty declarou que eleições livres, periódicas, plurais e transparentes são essenciais para a democracia. O ministério também pediu que as autoridades nicaraguenses garantam à população o direito de escolher seus governantes.
A manifestação, no entanto, ocorreu quatro dias depois do anúncio e não usou termos como condenação ou repúdio. A demora e o tom moderado voltaram a gerar críticas sobre a postura do governo Lula diante de regimes autoritários ideologicamente próximos.
Enquanto o Brasil divulgava uma reação considerada branda, países da região e autoridades internacionais adotaram posições mais duras. Costa Rica, Panamá, Guatemala e República Dominicana condenaram a medida. O Panamá também chamou seu embaixador em Manágua para consultas.
Ortega governa continuamente desde 2007. Nos últimos anos, seu regime prendeu opositores, fechou partidos, perseguiu organizações civis e ampliou o controle sobre o Judiciário, as Forças Armadas e o Parlamento. Sua esposa, Rosario Murillo, também passou a ocupar formalmente o cargo de copresidente.