A guerra contra o Irã já começou a cobrar um preço pesado dos estoques americanos de defesa aérea. Segundo uma análise do CSIS divulgada em 21 de abril e repercutida pelo Kyiv Independent, os Estados Unidos e seus aliados já gastaram mais da metade de alguns dos seus mísseis mais importantes ao longo da campanha, que durou 39 dias antes do cessar-fogo.
Os números chamam atenção. A estimativa aponta o uso de 1.060 a 1.430 interceptadores Patriot, de um estoque anterior à guerra de 2.330 unidades. No caso do THAAD, teriam sido disparados entre 190 e 290 mísseis, a partir de uma reserva de 360. Para analistas, isso não significa que Washington esteja perto de ficar sem capacidade de combate, mas mostra que uma guerra longa contra um adversário de grande porte pode desgastar rapidamente arsenais considerados estratégicos.
O problema é ainda mais sensível porque Patriot e THAAD são justamente sistemas usados para enfrentar ameaças mais difíceis, como mísseis balísticos. O próprio CSIS destaca que, nesse tipo de missão, não há substitutos realmente equivalentes. Isso aumenta a preocupação com os efeitos dessa queima de estoque sobre futuros conflitos, especialmente no Indo-Pacífico, além do impacto sobre parceiros que também dependem desses armamentos.
A Ucrânia aparece entre os países que podem sentir essa pressão. O Kyiv Independent lembra que Kiev já depende dos Patriots para lidar com ataques mais sofisticados, enquanto o CSIS afirma que estoques menores devem afetar o fornecimento americano de sistemas como Patriot e THAAD para aliados e parceiros. Em outras palavras, cada míssil gasto agora pode fazer falta em outras frentes mais adiante.
A indústria de defesa tenta reagir, mas o ritmo de reposição segue lento. O CSIS aponta que os prazos de entrega cresceram e que, em muitos casos, a recomposição total pode levar de um a quatro anos. No caso do THAAD, não há novas entregas desde agosto de 2023, com retomada prevista apenas para abril de 2027. Já a Lockheed Martin planeja elevar a produção anual do PAC-3 MSE para 2.000 unidades até 2030, ante 600 hoje, e aumentar a capacidade de produção do THAAD para 400 por ano, contra 96 atualmente.
No fim, o recado deixado pela guerra é claro. Os EUA ainda têm munição para continuar lutando, mas o conflito mostrou como até a maior potência militar do mundo pode ver seus estoques encolherem depressa quando a guerra exige uso intenso de sistemas caros e complexos. O maior risco, agora, não parece ser a guerra atual, mas a próxima.