O Exército do Irã afirmou que reagirá de forma “decisiva e rápida” caso o país sofra qualquer ataque dos Estados Unidos, em meio ao aumento da tensão após a aproximação de meios navais americanos na região do Golfo Pérsico e novas advertências do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de um golpe militar.
Em entrevista à TV estatal iraniana, o porta-voz do Exército, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, disse que um eventual “erro de cálculo” do “inimigo” seria respondido “em tempo real” e “sem atraso”, destacando que “dar tempo ao adversário” seria “inaceitável” após as lições de conflitos recentes.
Akraminia também acusou Washington de manter, há décadas, um “padrão” de sanções, “pressão máxima” e até “agressão cultural”, que ele classificou como parte de uma “guerra híbrida” contra a República Islâmica. Segundo ele, durante a guerra de 12 dias com Israel (no ano passado), os EUA teriam subestimado a capacidade iraniana, e Teerã teria respondido imediatamente ao ataque, sem gerar a instabilidade interna que adversários esperavam.
“Diplomacia de canhoneiras” e possíveis alvos
O porta-voz afirmou que os EUA estariam adotando uma “diplomacia de canhoneiras” inspirada nos séculos XVIII e XIX, buscando arrancar concessões como “enriquecimento zero” e restrições ao programa de mísseis. Ao falar sobre cenários de retaliação, ele citou a possibilidade de atingir bases americanas na região com drones, mísseis e armamentos “semi(pesados)”, dizendo que o alcance iraniano cobriria todo o entorno regional.
Nível de prontidão “mais alto” e foco em defesa aérea
Akraminia afirmou que o país estaria hoje em um nível de prontidão “muito maior”, com sistemas de defesa aérea danificados restaurados ou substituídos, novas baterias posicionadas e medidas adicionais na força aérea. Ele também disse que forças terrestres, navais e aéreas estariam em alta prontidão, com ênfase em reforçar a dissuasão e manter a coesão interna (inclusive contra o que chamou de “guerra cognitiva”).
Por fim, minimizou o impacto da presença de porta-aviões na região, afirmando que esses navios seriam vulneráveis às capacidades de mísseis (inclusive hipersônicos) do Irã.