O Irã afirma ter encontrado uma forma de reduzir o impacto do bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. Segundo Teerã, o porto de Jask, no Golfo de Omã, estaria permitindo a continuidade das exportações de petróleo, especialmente para a China, sem que os navios precisem cruzar diretamente a área mais pressionada da hidrovia.
A estrutura tem importância estratégica porque fica fora do Estreito de Ormuz e permite que petroleiros carreguem o petróleo iraniano já com acesso mais direto às águas internacionais. De acordo com os dados citados pelo governo iraniano, as vendas para a China teriam se mantido em torno de 985 mil barris por dia na primeira metade de abril. A informação, porém, não foi verificada de forma independente.
Entre 13 e 22 de abril, a empresa de análise Vortexa registrou 35 passagens pela zona de bloqueio imposta pelos EUA, incluindo embarcações ligadas ao Irã ou já sancionadas. Esses movimentos teriam permitido a passagem de pelo menos 10,7 milhões de barris de petróleo iraniano pelo Estreito de Ormuz.
Ao mesmo tempo, Teerã tenta ampliar sua pressão sobre a rota marítima. O governo iraniano afirma ter iniciado a cobrança de taxas de trânsito em Ormuz, com os valores sendo depositados no Banco Central do país. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o Irã não permitirá livre passagem pelo estreito enquanto suas próprias exportações sofrerem restrições.
Pelas regras anunciadas por Teerã, apenas navios comerciais previamente autorizados poderiam atravessar a região. Embarcações ligadas aos Estados Unidos, a Israel e a outros países considerados hostis ficariam de fora. O Irã tenta usar sua posição sobre uma das rotas energéticas mais importantes do mundo como instrumento de pressão contra Washington.
O terminal de Jask foi inaugurado em 2021, durante o governo de Ebrahim Raisi, justamente para diminuir a dependência iraniana do Estreito de Ormuz. Ele é ligado aos campos petrolíferos do sul do país por um oleoduto com capacidade projetada de exportação de até 1 milhão de barris por dia.
A China segue como principal compradora do petróleo iraniano durante a guerra, recebendo cargas com desconto e fora dos canais formais das sanções. Pequim também enviou três navios de guerra ao Golfo de Omã em 20 de abril, após a apreensão do navio iraniano Touska pelos Estados Unidos. Poucos dias depois, forças americanas capturaram mais petroleiros iranianos, incluindo o VLCC Majestic X no Oceano Índico.