Um ataque com explosivos contra um ônibus no sudoeste da Colômbia deixou 20 mortos e 36 feridos, em uma das ações mais graves contra civis registradas nos últimos anos no departamento de Cauca. A explosão ocorreu na Rodovia Pan-Americana, no município de Cajibío, atingindo o veículo e outros automóveis que passavam pela região.
Segundo autoridades locais, entre os mortos estão 15 mulheres e cinco homens. Cinco menores ficaram feridos, e três vítimas permaneciam em estado grave. O governador de Cauca, Octavio Guzmán, decretou três dias de luto e classificou o atentado como um dos ataques mais brutais contra a população civil em décadas na região.
O presidente Gustavo Petro atribuiu a ação a dissidências das antigas Farc, especialmente grupos ligados a Iván Mordisco e à estrutura Jaime Martínez. Essas facções rejeitaram o acordo de paz de 2016 e seguem atuando em áreas estratégicas para o narcotráfico, em disputa por rotas usadas no transporte de cocaína.
O atentado ocorre em meio a uma sequência de ataques em Cauca e regiões próximas. Nas últimas horas, também foram registrados ataques contra instalações policiais, infraestrutura pública e alvos ligados à segurança. Para as Forças Armadas colombianas, a ofensiva busca espalhar medo, pressionar o governo e demonstrar capacidade de ação em uma área onde o Estado enfrenta forte presença de grupos armados.
A violência reacende o debate sobre a política de “paz total” defendida por Petro, que tenta negociar com grupos ilegais enquanto enfrenta críticas pelo avanço das facções armadas. Com a proximidade das eleições presidenciais, o ataque aumenta a pressão por uma resposta militar mais firme e coloca novamente a segurança interna no centro da política colombiana.