O chanceler alemão Friedrich Merz elevou o tom contra a condução americana da guerra contra o Irã e afirmou que Washington está sendo “humilhado” pela liderança iraniana, especialmente pela Guarda Revolucionária. Para ele, os Estados Unidos parecem não ter uma rota clara para encerrar o conflito, que já provoca atritos dentro da OTAN e aumenta os custos econômicos e militares para a Europa.
Durante conversa com estudantes em Marsberg, no estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália, Merz disse que Teerã tem demonstrado habilidade em prolongar negociações sem oferecer resultados concretos. O comentário veio após o cancelamento de uma viagem de enviados americanos ao Paquistão, onde uma nova rodada de conversas com o Irã deveria ganhar impulso.
O chanceler também criticou a falta de coordenação entre Washington e seus aliados europeus. Segundo Merz, Alemanha e outros países da Europa não foram consultados antes do início dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, em 28 de fevereiro. Ele afirmou ter levado sua preocupação diretamente ao presidente Donald Trump.
Merz comparou a atual situação a intervenções americanas anteriores, como as guerras no Iraque e no Afeganistão, sugerindo que a ausência de uma estratégia de saída pode transformar uma operação militar em um problema prolongado. Para o governo alemão, o conflito já representa gastos elevados, pressão sobre a economia e riscos crescentes à segurança marítima.
Um dos pontos mais sensíveis é o Estreito de Hormuz, rota essencial para o transporte global de petróleo e gás. Merz afirmou que há sinais de que partes da passagem foram minadas e disse que a Alemanha, junto com parceiros europeus, ofereceu o envio de navios caça-minas para ajudar na desobstrução da área.
As declarações ocorrem em meio a uma tensão crescente dentro da OTAN. Trump cobrou maior participação dos aliados na proteção da navegação no Golfo, mas também afirmou que os Estados Unidos não dependem de ajuda externa. Países europeus, por sua vez, defendem que qualquer missão militar precisa ter mandato claro, coordenação internacional e aprovação política adequada.
A fala de Merz revela uma preocupação mais ampla na Europa: além da escalada militar contra o Irã, o conflito está testando a coesão entre aliados ocidentais, pressionando mercados de energia e expondo divergências sobre como Washington pretende encerrar uma guerra que começou como uma campanha de pressão, mas que ameaça se transformar em uma crise de longa duração.