Militares mexicanos capturaram Audias Flores Silva, conhecido como “El Jardinero”, um dos principais nomes do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), considerado hoje uma das organizações criminosas mais poderosas do México. A prisão ocorreu no estado de Nayarit e foi tratada pelas autoridades como um novo golpe contra a liderança do grupo.
Flores Silva foi localizado escondido em uma vala à beira de uma estrada, perto da comunidade de El Mirador. Segundo o governo mexicano, a operação terminou sem mortos ou feridos. Os Estados Unidos ofereciam recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura.
O criminoso era apontado como possível sucessor de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, morto em fevereiro durante uma operação militar. A morte do fundador do CJNG desencadeou uma onda de violência, com bloqueios de estradas, ataques a comércios e veículos incendiados. Mais de 70 pessoas morreram, incluindo 25 integrantes da Guarda Nacional.
De acordo com autoridades de segurança, Flores Silva chefiava a proteção pessoal de “El Mencho” e também participava da produção e do tráfico de drogas em Nayarit, Jalisco, Estado do México e Zacatecas. Após sua prisão, veículos e estabelecimentos teriam sido incendiados em diferentes pontos de Nayarit.
A captura ocorre em meio a uma ofensiva mais dura do governo de Claudia Sheinbaum contra os cartéis, em um momento de forte pressão de Washington. Em 2025, o presidente Donald Trump classificou o CJNG e outros cinco cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras.
Flores Silva já havia sido preso nos Estados Unidos, onde cumpriu pena de cinco anos por tráfico de drogas. Em 2016, voltou a ser detido no México por suspeita de envolvimento em uma emboscada contra policiais em Jalisco, mas acabou libertado três anos depois. Desde 2021, os EUA pedem sua extradição por acusações ligadas a conspiração para tráfico de drogas e posse de armas.
Apesar do impacto simbólico e operacional da prisão, especialistas alertam que o CJNG tem capacidade de se reorganizar rapidamente. A Agência Antidrogas dos Estados Unidos reconhece a presença do cartel em 21 dos 32 estados mexicanos, enquanto outras análises apontam atuação em até 25 estados e ramificações internacionais em cerca de 100 países.