O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou que as Forças de Defesa de Israel intensifiquem os ataques contra posições do Hezbollah no Líbano, em uma nova escalada que coloca sob forte pressão o cessar-fogo recentemente prorrogado por mediação dos Estados Unidos.
A decisão foi anunciada após Israel acusar o grupo libanês de lançar foguetes e drones contra o norte israelense. Segundo os militares israelenses, ao menos parte dos projéteis foi interceptada, sem registro de vítimas em território israelense. Em resposta, a aviação e a artilharia israelenses atingiram áreas no sul do Líbano, incluindo locais apontados como bases, lançadores de foguetes e posições operacionais do Hezbollah.
Autoridades libanesas informaram que os bombardeios deixaram ao menos seis mortos no fim de semana. Israel afirma que parte dos alvos atingidos envolvia combatentes do Hezbollah e estruturas prontas para uso imediato, incluindo lançadores preparados para novos disparos. A ofensiva também teria atingido integrantes da Força Radwan, unidade de elite do grupo xiita.
A nova rodada de ataques ocorre poucos dias depois de o presidente Donald Trump anunciar a extensão da trégua entre Israel e Líbano por mais três semanas. O acordo, no entanto, já vinha sendo tratado com ceticismo, uma vez que o Hezbollah não participou diretamente das negociações conduzidas por Washington. Um parlamentar ligado ao grupo chegou a classificar o cessar-fogo como “sem sentido”, diante da continuidade das operações israelenses no sul do país.
Mesmo com a pausa formal nos combates, a fronteira segue altamente instável. Israel mantém tropas em uma zona de segurança no sul libanês e acusa o Hezbollah de tentar reorganizar suas posições próximas à fronteira. Já o grupo libanês afirma que as ações israelenses violam a trégua e impedem qualquer normalização real da situação.
A escalada aumenta o risco de colapso do cessar-fogo e reforça a dificuldade de separar a crise no Líbano do conflito regional mais amplo envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. Para Washington, manter a trégua viva é essencial para evitar que a guerra se espalhe ainda mais. Para Israel, porém, qualquer movimentação do Hezbollah perto da fronteira continuará sendo tratada como ameaça imediata.