Em um avanço notável na sua estratégia antidrogas, o presidente Donald Trump assinou em sigilo uma diretiva que instrui o Pentágono a desenvolver planos para mobilizar recursos militares contra cartéis de drogas latino-americanos classificados como organizações terroristas .
Esta decisão representa uma escalada significativa: o uso do aparato militar, incluindo operações em alto mar e possivelmente em solo estrangeiro, está agora sendo avaliado como meio de conter o fluxo de substâncias como o fentanil — tradicionalmente enfrentado como questão policial .
Até o momento, os detalhes são escassos. Embora o gabinete de Trump tenha afirmado que “proteger o país é sua principal prioridade” e ressaltado a importância de classificar cartéis como organizações terroristas, o alcance exato da autorização permanece indefinido . Autoridades confirmaram que o uso de força militar ainda não é iminente .
O secretário de Estado, Marco Rubio, destacou que essa reclassificação permite ao governo norte-americano empregar agências de inteligência, defesa e outras ferramentas para enfrentar os cartéis como ameaças armadas, e não meramente criminosas .
Do lado mexicano, a presidente Claudia Sheinbaum foi categórica: “não haverá invasão” e nenhum soldado dos EUA será permitido em território mexicano . A resposta reafirma o compromisso com a soberania nacional, invertendo propostas anteriores de cooperação que viam uso de tropas americanas no México .
Analistas e especialistas jurídicos expressam preocupação: o uso de força fora de autorização do Congresso cria desafios legais, tanto sob a legislação nacional — como a Posse Comitatus Act — quanto no âmbito do direito internacional, o que levanta dúvidas sobre a conformidade com normas existentes .
Historicamente, os EUA já envolveram suas forças em operações antidrogas na América Latina, mas geralmente em apoio a autoridades locais. A nova diretriz sinaliza uma mudança substancial na abordagem — com as Forças Armadas como protagonistas na linha de frente .