O presidente Donald Trump afirmou que o Irã já recebeu, por canais diretos, os termos que Washington considera aceitáveis para um acordo ligado ao programa nuclear iraniano. Questionado sobre um prazo para Teerã responder, ele evitou fixar datas publicamente e disse que a linha do tempo seria conhecida “apenas por eles”, em referência aos iranianos.
A fala ocorre enquanto os EUA ampliam a presença militar no Oriente Médio, com foco no componente naval. Autoridades americanas confirmaram que o porta-aviões USS Abraham Lincoln e destróieres de escolta entraram na área de responsabilidade do Comando Central dos EUA, elevando a capacidade de dissuasão (e, em tese, de ação) na região.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araghchi declarou que seu país está disposto a negociar, desde que as conversas ocorram “em pé de igualdade” e com parâmetros previamente definidos (formato, pauta e local). Ele também reforçou que não há reunião marcada, embora tenha deixado aberta a possibilidade de contatos, dependendo das condições.
Nos bastidores, o impasse gira em torno do alcance do acordo. Washington tem sinalizado que quer limites verificáveis que reduzam o risco de “ruptura” nuclear, com exigências que podem incluir o fim do enriquecimento em território iraniano e a remoção de estoques de urânio enriquecido, além de travas relacionadas a mísseis e à rede de aliados armados do Irã na região.
O clima de desconfiança não é novo. Parte da cautela vem do histórico do acordo nuclear de 2015 e de crises posteriores envolvendo inspeções. Em paralelo, o tema voltou a ganhar tração depois que, em junho de 2025, os EUA se juntaram a Israel em ataques contra instalações nucleares iranianas (incluindo Fordow, Natanz e Isfahan), um marco que ainda pesa nas avaliações políticas e militares dos dois lados.