O presidente Donald Trump teria cobrado explicações do secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante uma reunião em Camp David, após ser informado de que os estoques de munições dos Estados Unidos estavam em nível crítico e poderiam limitar novas ações militares contra o Irã. A informação foi publicada pelo The Washington Post, com base em duas pessoas familiarizadas com a conversa.
Segundo a reportagem, Trump teria demonstrado irritação ao saber que a falta de munições de precisão poderia reduzir suas opções em uma eventual nova escalada contra Teerã. O episódio expôs uma tensão interna na administração, já que Hegseth havia afirmado publicamente, nos meses anteriores, que os Estados Unidos não enfrentavam falta de armamentos para sustentar a campanha contra o Irã.
A Reuters também informou que a guerra contra o Irã consumiu grande parte de alguns dos principais mísseis de longo alcance dos EUA. A agência citou, entre os sistemas mais afetados, munições de precisão usadas para ataques a longa distância, o que pode obrigar Washington a recorrer a missões tripuladas mais arriscadas se os ataques forem retomados.
A Casa Branca negou que tenha ocorrido uma crise entre Trump e Hegseth. O presidente também rejeitou publicamente os relatos de falta de munições e afirmou que os Estados Unidos possuem “quantidades massivas” de armamentos, enquanto prometeu punir vazamentos de informações consideradas sensíveis.
O caso é importante porque toca em um ponto central da guerra moderna, a velocidade com que munições caras e complexas são consumidas em conflitos prolongados. Mesmo para os Estados Unidos, a reposição de interceptores, mísseis de precisão e sistemas de longo alcance pode levar meses ou anos, especialmente quando a indústria de defesa já está pressionada pela guerra na Ucrânia e por compromissos com aliados.