A decisão do presidente Donald Trump de reduzir substancialmente a participação dos Estados Unidos no exercício militar Ulchi Freedom Shield surpreendeu tanto o governo da Coreia do Sul quanto integrantes das próprias Forças Armadas americanas envolvidos na operação.
Segundo o ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Cho Hyun, Seul não recebeu aviso prévio de Washington sobre a mudança. O governo sul-coreano tomou conhecimento da decisão quando Trump publicou o anúncio nas redes sociais.
A ordem também pegou de surpresa militares americanos. O exercício já estava praticamente pronto para começar, com tropas e comandantes mobilizados na Coreia do Sul. Horas depois da publicação de Trump, as Forças dos EUA na Coreia chegaram a afirmar que o Ulchi Freedom Shield estava seguindo conforme planejado, enquanto questões sobre a ordem presidencial eram encaminhadas ao Pentágono e à Casa Branca.
Trump determinou que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, reduzisse “substancialmente” a participação americana. O presidente afirmou que os exercícios eram caros e enviavam um sinal que considerava hostil à Coreia do Norte. Trump também destacou sua boa relação com Kim Jong-un e mencionou a recusa de Seul em participar das operações americanas contra o Irã.
O impacto da decisão foi significativo. O Ulchi Freedom Shield, originalmente previsto para durar 11 dias, foi reduzido para cinco dias, entre 17 e 21 de agosto. A segunda fase do exercício, que incluiria operações de contra-ataque, foi cancelada, enquanto parte dos treinamentos de campo foi eliminada ou convertida em simulações.
A forma como a mudança foi anunciada chama atenção por envolver um dos principais exercícios militares dos Estados Unidos na Ásia. O Ulchi Freedom Shield é usado para treinar a integração entre as forças americanas e sul-coreanas diante de uma eventual crise ou conflito na Península Coreana.
A falta de consulta prévia reforçou em Seul o debate sobre a dependência militar em relação aos Estados Unidos. O presidente sul-coreano Lee Jae Myung voltou a defender maior autonomia militar do país depois da decisão de Trump, embora seu governo tenha reiterado a importância da aliança com Washington.