A Rússia voltou a acusar forças ocidentais de treinarem um possível bloqueio e até uma tomada de Kaliningrado, enclave fortemente militarizado entre a Polônia e a Lituânia. A declaração partiu do vice chanceler russo Alexander Grushko, que apontou exercícios conduzidos no âmbito da Joint Expeditionary Force como parte desse cenário.
Segundo Moscou, as manobras estariam incluindo hipóteses de bloqueio naval e operações voltadas ao controle da região. A Joint Expeditionary Force é liderada pelo Reino Unido e reúne 10 países do norte da Europa, com foco em resposta rápida a crises e operações no Báltico e no extremo norte.
O governo russo também afirmou que a presença naval da aliança no Báltico aumenta os riscos para a navegação e para a atividade econômica da região. Outra crítica foi dirigida à operação Baltic Sentinel, iniciada em janeiro de 2025, que Moscou descreve como um esforço para ampliar o controle sobre rotas internacionais e pressionar interesses russos.
Até o momento, a OTAN não respondeu oficialmente às novas acusações. Ainda assim, o ambiente militar no Báltico segue aquecido. O exercício BALTOPS, realizado anualmente desde 1972, está programado para ocorrer entre 4 e 19 de junho deste ano, com treinos de guerra antissubmarino, defesa aérea e operações anfíbias.
Embora não haja sinais de uma ação iminente contra Kaliningrado, o tema ganhou força desde 2025, quando o comandante das forças do Exército dos EUA na Europa e África afirmou que a OTAN teria capacidade para neutralizar a região com rapidez inédita, caso a situação se deteriorasse. O enclave, cercado por território aliado, segue sendo visto como um dos pontos mais sensíveis em um eventual confronto direto entre Rússia e OTAN.