A Marinha dos Estados Unidos deve retirar em breve o porta-aviões USS Gerald R. Ford do Oriente Médio, em uma decisão que reduz parte importante da força naval norte-americana na região em plena guerra contra o Irã.
A embarcação, considerada o porta-aviões mais moderno da frota dos EUA, está há cerca de dez meses em operação fora de seu porto de origem. Segundo autoridades americanas, o navio deve iniciar nos próximos dias a viagem de retorno para Norfolk, na Virgínia, com chegada prevista para meados de maio. A tripulação, formada por aproximadamente 4.500 militares, encerra uma missão considerada excepcionalmente longa.
Até agora, o USS Gerald R. Ford acumulou 309 dias de deslocamento, marca apontada como recorde para um porta-aviões moderno dos Estados Unidos. Normalmente, esse tipo de missão dura entre seis e sete meses, justamente para preservar o cronograma de manutenção das embarcações.
A saída do Ford ocorre em um momento delicado. Os Estados Unidos mantêm três porta-aviões na região ligados às operações contra o Irã. Além do Ford, que está no Mar Vermelho, o USS Abraham Lincoln e o USS George H.W. Bush operam no Mar Arábico, onde ajudam a sustentar o bloqueio naval contra navios que transportam petróleo ou mercadorias a partir de portos iranianos.
Embora a retirada represente alívio para a tripulação, também diminui o poder de fogo disponível para Washington enquanto as negociações de paz com Teerã seguem travadas. O governo Trump tenta pressionar o Irã a aceitar um acordo, mas a situação militar e diplomática permanece tensa.
O longo período no mar também cobrou seu preço. O porta-aviões já passou por reparos após um incêndio em uma lavanderia a bordo, incidente que deixou marinheiros feridos. Além disso, o navio enfrentou problemas recorrentes em seus banheiros. Ao retornar aos Estados Unidos, deverá passar por uma etapa mais ampla de manutenção e recuperação.
O USS Gerald R. Ford deixou a base naval de Norfolk em 24 de junho, inicialmente com destino à Europa. Depois, foi redirecionado ao Caribe, onde apoiou o bloqueio americano às exportações de petróleo da Venezuela e a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro em janeiro. Mais tarde, sua missão foi novamente estendida, desta vez para reforçar as operações militares dos EUA contra o Irã.