O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que Teerã não abrirá mão de suas capacidades nucleares e balísticas, classificadas por ele como ativos nacionais. A declaração ocorre em meio ao frágil cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos e amplia a pressão sobre as negociações buscadas pelo presidente Donald Trump.
Em comunicado lido pela televisão estatal iraniana, Khamenei adotou um tom duro contra a presença americana no Golfo Pérsico e defendeu que o futuro da região deve ser decidido sem interferência dos EUA. A mensagem também indicou que Teerã não pretende tratar seu programa de mísseis como moeda de troca em eventuais acordos.
A tensão segue elevada no Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. O Irã mantém controle sobre a passagem, enquanto a Marinha dos EUA aplica um bloqueio para limitar a saída de petroleiros iranianos e reduzir a receita de Teerã.
A disputa já pesa sobre o mercado internacional. O petróleo Brent para entrega em junho chegou a atingir US$ 126 por barril, reflexo direto do risco de interrupção prolongada no Golfo. A alta também aumenta a pressão política sobre Trump, em um momento sensível para a economia americana.
Khamenei sinalizou ainda que o Irã pretende manter novas regras de controle sobre o Estreito de Ormuz, inclusive com relatos de cobranças impostas a embarcações. Países árabes do Golfo, especialmente os Emirados Árabes Unidos, condenam a medida e tratam a ação iraniana como uma ameaça direta à livre navegação.