Os Estados Unidos reforçaram de forma significativa sua presença militar no Oriente Médio com a chegada do porta-aviões USS George H.W. Bush a águas próximas ao Irã. A movimentação ocorre em meio à crise no Estreito de Ormuz, onde a tensão entre Washington e Teerã segue alta, apesar do discurso de cessar-fogo mantido pelos dois lados.
O grupo de ataque do George H.W. Bush leva quase 5 mil militares e nove esquadrões de aeronaves embarcadas. O porta-aviões está acompanhado por três destróieres da classe Arleigh Burke (USS Ross, USS Donald Cook e USS Mason), navios projetados para defesa aérea, combate de superfície e guerra antissubmarino.
Com essa chegada, os EUA passam a contar com três porta-aviões na região. O George H.W. Bush se junta ao USS Gerald R. Ford e ao USS Abraham Lincoln, formando uma concentração naval incomum para qualquer teatro de operações. Antes desse reforço, já havia ao menos 21 navios de guerra americanos e mais de 16,5 mil marinheiros e fuzileiros navais posicionados no Oriente Médio.
A presença simultânea de três porta-aviões amplia muito a capacidade de Washington de realizar operações aéreas contínuas, ataques a partir de múltiplos eixos, missões de vigilância e proteção de rotas marítimas. O USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do mundo, opera no Mar Vermelho e pode embarcar até 90 aeronaves, incluindo caças F/A-18 Super Hornet e aviões de guerra eletrônica EA-18G Growler.
Ainda não está claro qual será a missão específica do George H.W. Bush, mas parte da frota americana na região tem sido empregada para sustentar o bloqueio dos EUA a portos iranianos no Estreito de Ormuz. A rota é uma das mais sensíveis do comércio global, por onde passava cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra.
O Irã, por sua vez, mantém restrições à navegação no estreito e afirma que só reabrirá plenamente a passagem caso os EUA suspendam o bloqueio naval e recuem em suas exigências sobre o programa nuclear iraniano. Nos últimos dias, a tensão aumentou após incidentes envolvendo navios interceptados por forças americanas e embarcações atacadas ou abordadas pela Guarda Revolucionária iraniana.
Segundo o almirante Daryl Caudle, chefe de operações navais da Marinha dos EUA, o terceiro porta-aviões pode ajudar a proteger a passagem de petroleiros e a enfrentar ameaças assimétricas iranianas, incluindo minas navais. O presidente Donald Trump também ordenou que a Marinha ataque qualquer embarcação envolvida no lançamento de minas no Estreito de Ormuz.
A chegada do George H.W. Bush ocorre depois de testes com o sistema laser LOCUST a bordo do próprio porta-aviões. O equipamento de 20 kW foi desenvolvido para combater enxames de drones de baixo custo, uma ameaça que o Irã vinha usando em ondas de ataques contra alvos dos EUA, de Israel e de países do Golfo. Apesar do potencial, armas de energia dirigida ainda enfrentam limitações em ambientes reais, especialmente sob poeira, fumaça, umidade ou longas distâncias.